quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Um formador de nome Vitor da formação de informática numa escola qualquer. Vê-se que é uma pessoa que se interessa pelos seus formandos e até sofre porque um deles goza com ele e diz "Já houve formadores melhores". Na sua turma, existe Sandra. Vitor e Sandra tem uma relação que os outros formandos não conhecem. Sandra é cega e tem problemas com isso. Vitor é alguém que gosta de Sandra mas não sabe bem como viver a relação.
Vitor fala ao telemóvel com Sandra, sentado à minha frente no comboio. É uma pessoa sensível que a voz por vezes embarga e os olhos ficam aguados. Tento ler o meu livro, mas esta história real entra-me pelos ouvidos, pela cabeça, pela imaginação. Dou por mim a imaginar Sandra do outro lado, enquanto ouço Vitor a ser namorado, confidente, psicólogo, ouvinte. "Quero fazer-te ver que a vida não é a preto!", diz Vitor. Sandra queixa-se na mesma. Talvez sinta que é um fardo, talvez não queira ser um fardo para Vitor. Não percebe que talvez Vitor queira esse fardo. Certos homens não se importam de carregar uma mulher ao colo. Talvez esta minha ideia que as mulheres são mais sensíveis e os homens mais sentimentais. Ou que as mulheres procuram as imperfeições dos homens e os homens as perfeições das mulheres.

Vitor sai na mesma estação que eu. Não resisto a olhar para trás uma última vez. Vitor ainda fala com Sandra ao telemóvel. Olho-o e sorrio. Não deve ter mais de 1,60m mas tem um coração muito maior que a sua altura.

Dou valor aos escritores que conseguem criar outras realidades, mas são as estórias da nossa realidade que mais me emocionam. Esta caiu-me no colo e apesar de Vitor e Sandra nunca irem ler isto, deixo aqui a minha homenagem.

4 comentários:

Pekenina disse...

Para pensar...

Francisco del Mundo disse...

Pekenina, ora...
Beijo

Nita disse...

Ainda ha gente que dá valor ao Amor...pouca, mas ainda há!**

Miguel disse...

Bom texto.

O Amor não olha a esses detalhes secundários... nasce dentro de nós e há que entender isso...

:)