segunda-feira, junho 25, 2007

Pois é, estou de volta... Fizeram pressão para que este blog fosse independente dos outros! E não resisti... Hoje deixo-vos uma das minhas músicas favoritas. Existe a versão original do Carlos do Carmo e existe uma versão deliciosa da Ana Moura, mas foi porque causa desta versão que me apaixonei por ela. Os intérpretes são a Azeituna (uma das turmas da minha universidade do Minho) e a música, damas e cavalheiros, chama-se No teu poema...



No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço
do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro.

2 comentários:

Silvia disse...

Assim é que é, até eu sabia que estava inactivo, e vinha cá a mesma. Quando gostamos de ler alguem, voltamos sempre...Nem que seja para ler o que estava há muito escrito.
Um beijo e força nisso.

Francisco del Mundo disse...

silvia, e eu não resisti a deixar este espaço e todos os meus leitores...:)
Beijo grande, menina