Penúltimo capítulo...
"Bela S.,
peço-te desculpa! Pela primeira vez na minha vida, enganei-me a mim e a outra pessoa. Pensei que podia dar a oportunidade a outra pessoa de me fazer redescobrir o amor, mas não. O meu coração está penhorado! Ficou guardado nas mãos da metade da minha laranja. Provavelmente lá ficará! És uma menina doce, divertida, linda. Farás um homem muito feliz. Mas não eu... Sinto que te enganei ao fazer-te pensar que estava livre para uma relação. Isto porque nem eu sabia se estava ou não. Não estou... Não te quis magoar e magoei-te. Não merecias e por isso te peço desculpa..."
quinta-feira, julho 30, 2009
quarta-feira, julho 29, 2009
Terceiro capítulo...
"Bela C,
peço-te desculpa! Porque não soube ser eu. Estive sem relações durante muito tempo até apareceres na minha vida. Estava ainda magoado com a minha longa relação que não acabou bem. Amaste-me mais do que eu te soube amar! E nunca me perdoarei por isso. Deste-me tanto e só depois de te perder percebi o quanto tinha desperdiçado. És uma mulher forte, independente, sem arrependimentos. Sei que sofreste não por termos acabado mas porque não conseguiste que eu ganhasse asas. Tentaste sempre que eu fosse melhor do que o que era. E só quando te perdi entendi isso! Estava apático. Suguei-te as forças! Espero que encontres um homem que te saiba amar como eu não soube."
"Bela C,
peço-te desculpa! Porque não soube ser eu. Estive sem relações durante muito tempo até apareceres na minha vida. Estava ainda magoado com a minha longa relação que não acabou bem. Amaste-me mais do que eu te soube amar! E nunca me perdoarei por isso. Deste-me tanto e só depois de te perder percebi o quanto tinha desperdiçado. És uma mulher forte, independente, sem arrependimentos. Sei que sofreste não por termos acabado mas porque não conseguiste que eu ganhasse asas. Tentaste sempre que eu fosse melhor do que o que era. E só quando te perdi entendi isso! Estava apático. Suguei-te as forças! Espero que encontres um homem que te saiba amar como eu não soube."
terça-feira, julho 28, 2009
Continuando...
"Bela L.,
peço-te desculpa! Primeiramente porque te traí. E isso não tem desculpa possível. Nem o facto de ter acabado no dia seguinte nem o facto de ter sido com aquela que foi depois minha namorada durante 3 anos e meio. Eras um doce de menina! Com uma inocência imprópria da tua idade. E que te assentava tão bem! A entrada na universidade foi uma fase estranha em que experimentei demasiadas coisas ao mesmo tempo. E a nossa relação acabou por padecer de eu querer abarcar tudo. Sei que terás sempre um espaço no meu coração e se alguma ves te fiz mal, peço-te desculpa."
"Bela L.,
peço-te desculpa! Primeiramente porque te traí. E isso não tem desculpa possível. Nem o facto de ter acabado no dia seguinte nem o facto de ter sido com aquela que foi depois minha namorada durante 3 anos e meio. Eras um doce de menina! Com uma inocência imprópria da tua idade. E que te assentava tão bem! A entrada na universidade foi uma fase estranha em que experimentei demasiadas coisas ao mesmo tempo. E a nossa relação acabou por padecer de eu querer abarcar tudo. Sei que terás sempre um espaço no meu coração e se alguma ves te fiz mal, peço-te desculpa."
Poucas foram as coisas que fiz e que me arrependo! Ou melhor, que penso ter de pedir desculpa. Mas este é um bom sítio para pedir algumas desculpas. Começo hoje...
"Bela T.,
peço-te desculpa! Porque me apanhaste na transição de patinho feio para pessoa com auto-estima. Porque andei perdido no meio da relação e não soube dar-me como poderia. Soube depois que estiveste um tempo apaixonada por mim e peço-te desculpa por isso. Foi um tempo que poderias ter gasto em alguém que te soubesse dar o valor que mereces. Tive a sorte de ter uma segunda oportunidade para honrar a tua amizade passados dez anos e espero nunca a desperdiçar. És uma bela menina com um coração enorme e mereces toda a felicidade do mundo..."
PS- Ela leu e perdoou...
"Bela T.,
peço-te desculpa! Porque me apanhaste na transição de patinho feio para pessoa com auto-estima. Porque andei perdido no meio da relação e não soube dar-me como poderia. Soube depois que estiveste um tempo apaixonada por mim e peço-te desculpa por isso. Foi um tempo que poderias ter gasto em alguém que te soubesse dar o valor que mereces. Tive a sorte de ter uma segunda oportunidade para honrar a tua amizade passados dez anos e espero nunca a desperdiçar. És uma bela menina com um coração enorme e mereces toda a felicidade do mundo..."
PS- Ela leu e perdoou...
sexta-feira, julho 24, 2009
Ainda antes de entrar em confissões, uma opinião...
Vi ontem o último episódio de Equador, que tinha sido transmitido Domingo. Sim, eu via o Equador! Desde o primeiro episódio. Até porque achei o livro de Miguel Sousa Tavares interessante. Acho que o tempo vai mostrar como a personagem de Luis Bernardo Valença terá um espaço na Literatura Portuguesa. Gosto dele porque consigo identificar-me com alguns dos pecadilhos dele. É claro que obviamente nunca trocaria a bela Doroteia...

pela loira Anne!

Preferi o livro ao argumento da série. Estava melhor estruturado! O fim tentou explicar muitas coisas (porque haviam mais personagens) e acabou por se perder... A parte boa da imagem é que podemos ver a bela Ciomara no papel de Masara! (a minha sorte é estar tão bem servido de chocolate na minha vida)
Vi ontem o último episódio de Equador, que tinha sido transmitido Domingo. Sim, eu via o Equador! Desde o primeiro episódio. Até porque achei o livro de Miguel Sousa Tavares interessante. Acho que o tempo vai mostrar como a personagem de Luis Bernardo Valença terá um espaço na Literatura Portuguesa. Gosto dele porque consigo identificar-me com alguns dos pecadilhos dele. É claro que obviamente nunca trocaria a bela Doroteia...

pela loira Anne!

Preferi o livro ao argumento da série. Estava melhor estruturado! O fim tentou explicar muitas coisas (porque haviam mais personagens) e acabou por se perder... A parte boa da imagem é que podemos ver a bela Ciomara no papel de Masara! (a minha sorte é estar tão bem servido de chocolate na minha vida)
quarta-feira, julho 22, 2009
1h da manhã! O pc avariou. A tv não funciona. O que fazer? Podia ir dormir. Não vou. Decido voltar às origens. Na varanda, a temperatura está agradável. O vinho tinto repousa a meu lado. Seguro um belíssimo charuto Romeo & Julieta, que vou passeando entre os dedos e os lábios. Nos ouvidos o iPod leva-me até ao mundo da música. Vou lendo uma revista mas a minha mente vagueia. Tomo a resolução de escrever. Escrever a sério! Dedicar-me às palavras enquanto verdadeira ocupação. Imediatamente começam a surgir estórias na minha cabeça. Se apenas conseguisse escrever com o pensamento, já tinha impresso um mundo de palavras. Penso nas minhas vivências, nas minhas dores, nos meus amores. Como o coração está penhorado, como o amor está pausado. E a certa altura, uma música começa a soar nos meus ouvidos. A névoa do fumo, o vapor do vinho e uma viagem ao mais profundo de mim mesmo...
Stay
Eva Cassidy
Stay
Eva Cassidy
terça-feira, julho 21, 2009
quarta-feira, julho 15, 2009
sábado, julho 11, 2009
Sei que estiveste neste concerto... Sei que apanhaste com a chuva na cara... Sei que vibraste com esta música... Lembrei-me dela porque a todos os momentos me lembro de ti... Deixo-a aqui porque todos os dias sinto saudade... Há gente que fica na história na história da gente...
Chuva
As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade
Chuva
As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade
segunda-feira, julho 06, 2009
terça-feira, junho 30, 2009
sexta-feira, junho 26, 2009
Descobri que quando a Belota era pequena foi a um programa de televisão francesa e disse o que pensava sobre os rapazes... É a minha prenda de anos atrasada!!Ahaha Eu sei que tu me perdoas!!
quinta-feira, junho 25, 2009
segunda-feira, junho 22, 2009
A vida parece ter por vezes dificuldades maiores que nós! Parece ser difícil libertar-nos das coisas más que nos perseguem. Pois bem, não se deve deixar de lutar. Mesmo quando tudo parece perdido, desistir é a única solução que não é aceitável. Até porque mesmo não sabendo, temos sempre algum apoio nas costas. Vejam esta cena do filme premiado "L'Ours"...
quinta-feira, junho 18, 2009
Decidi pegar com a minha querida Belota...
Belota,
tenho-te lido desde o primeiro dia e ouvido cascar nos homens (ou como tu dizes tótós) sem dó nem piedade! Dizes muitas vezes que os homens fazem coisas que vocês não compreendem e muitas vezes não compreendemos o que vocês fazem. Não sou advogado de defesa dos homens mas não me considero tótó. E também tenho umas dúvidazinhas. Começando por: porque raio vocês passam por uma fase em que vão para os concertos feitas tolinhas, a chorar por artista qualquer e a dizerem que ele é o homem da vossa vida? Onde está o vosso reconhecido equilíbrio e maturidade?
Beijo
Belota,
tenho-te lido desde o primeiro dia e ouvido cascar nos homens (ou como tu dizes tótós) sem dó nem piedade! Dizes muitas vezes que os homens fazem coisas que vocês não compreendem e muitas vezes não compreendemos o que vocês fazem. Não sou advogado de defesa dos homens mas não me considero tótó. E também tenho umas dúvidazinhas. Começando por: porque raio vocês passam por uma fase em que vão para os concertos feitas tolinhas, a chorar por artista qualquer e a dizerem que ele é o homem da vossa vida? Onde está o vosso reconhecido equilíbrio e maturidade?
Beijo
terça-feira, junho 16, 2009
O meu cronista favorito, de quem não perco um texto que seja, José Manuel dos Santos perdeu há dias a sua mãe. E decidiu escrever este texto que tem passagens maravilhosas. Os meus pesames ao homem e a minha homenagem ao cronista...
A minha mãe era o absoluto da minha vida. Na aliança com ela não havia 'ses', 'talvez' ou 'depois'. O amor, ao mesmo tempo lúcido e louco, que, em todos os instantes, nos entregava, a mim e à minha irmã, iluminou a nossa vida e é-nos agora um sol interior. Sabemos que o melhor que somos vem dela. Vivia inclinada para nós, à nossa escuta: dava-nos um cuidado sem descanso, uma atenção sem intervalo. Mas detestava sentimentalismos exibidos. Fingia que não queria mimo, mas ficava maior com ele. Havia nela uma autoridade natural perante o mundo e os outros. Em casa, era uma rainha sentada no seu trono, a quem toda a gente reconhecia e prestava homenagem. O meu pai adorava-a. As amigas adoravam-na. Os filhos e os amigos dos filhos adoravam-na.
Era dona de uma inteligência muito acima da sua instrução: rápida, ágil, astuta, concisa. Tinha uma graça céptica e jovial, que a velhice aguçou. Percebia tudo antes de toda a gente: da política à psicologia. Usava um espírito crítico insubmisso e ilimitado. Nunca se rendia! Gostava de histórias e de segredos. Ao contrário do meu pai, gostava de futebol - e era do Benfica. Via os jogos com paixão e impaciência. Era boa, sem ser 'boazinha'! Era justa e atenta a quem precisava de ajuda. Era nervosa e resistente, voluntariosa e fatalista, teimosa e perspicaz, corajosa e por vezes obsessiva. Era muito frágil e muito forte.
Esta é a hora em que me lembro de todos os meus dias, desde o nascimento, pois ela está em todos eles. Às vezes, está neles mais do que eu. Guardo nos meus olhos o seu rosto belo. Nos meus ouvidos, a sua voz jovem. Guardo no meu corpo a memória das suas mãos. Quando, todas as manhãs, subia da minha casa à sua para a saudar, ela compunha-me sempre a gravata ou a gola do casaco. Era a sua maneira de me fazer uma festa. Conservarei até ao meu fim esse seu gesto (esse seu jogo), que acrescentava o meu corpo de força e de certeza.
Aos 85 anos, estava activa e lúcida como poucos. Fazia a sua vida como sempre fizera. Há dois meses, uma dor numa perna revelou uma 'fractura espontânea' (sem queda) do colo do fémur. Foi operada e correu bem (Hospital de São Lázaro). Quando já estava em casa a começar a andar, um trombo impediu-lhe a artéria da outra perna e foi de novo operada (Hospital de Santa Marta). Sucederam-se complicações: esteve a morrer, mas foi possível salvá-la. Melhorou e, quando estava de novo em casa, há apenas um dia, apareceu uma infecção que finalmente a venceu (Hospital dos Capuchos e de São José). Sofreu muito durante este tempo. Hora a hora, sentia-se mais cercada. Dizia: "Já não tenho lágrimas para chorar." Falava da morte, agarrada à vida. Depois da vida, agarrada à morte. Durante estes dias da doença, da recuperação, da agonia, conheceu nos hospitais o horror e a desatenção, mas também o cuidado e o carinho. Mas estes hospitais, mesmo aqueles que são os melhores, já não servem e é imperioso que deixem de servir. Por excelentes que sejam os cuidados médicos aí prestados (e, ao contrário da Urgência, a UCIP, cuidados intensivos de São José, é um exemplo de rara qualidade), estes velhos e inadequados hospitais são inaceitáveis pela humilhação que fazem aos doentes e aos que neles trabalham. Nestes meses (que nos acrescentaram uma anterior experiência de anos com a doença do meu pai), eu e a minha irmã vivemos nos hospitais ao lado da minha mãe e poderíamos fazer um relatório maior que o de uma comissão especializada.
Nesta Primavera que se me tornou Inverno, a minha mãe morreu, e eu sei que a sua ausência põe fim ao meu reino. A partir de agora, estou no exílio, por mais feliz ou dourado que possa ser. A sua morte é, de todas as coisas do mundo, a que menos me é alheia: deu-se também em mim. É-me, por isso, ao mesmo tempo impensável, insuportável e irreal. Para dar a essa morte a grandeza da sua vida comum e do seu amor por nós, digo poemas que falam das mães: de Herberto, de Sophia, de Eugénio.
E de Torga: "Mãe/ Que desgraça na vida aconteceu,/ Que ficaste insensível e gelada?/ Que todo o teu perfil se endureceu/ Numa linha severa e desenhada?// Como as estátuas, que são gente nossa/ Cansada de palavras e ternura,/ Assim tu me pareces no teu leito./ Presença cinzelada em pedra dura,/ Que não tem coração dentro do peito.// Chamo aos gritos por ti - não me respondes./ Beijo-te as mãos e o rosto - sinto frio./ Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes/ Por detrás do terror deste vazio.// Mãe:/ Abre os olhos ao menos, diz que sim!/ Diz que me vês ainda, que me queres./ Que és a eterna mulher entre as mulheres./ Que nem a morte te afastou de mim!" in Unica.
A minha mãe era o absoluto da minha vida. Na aliança com ela não havia 'ses', 'talvez' ou 'depois'. O amor, ao mesmo tempo lúcido e louco, que, em todos os instantes, nos entregava, a mim e à minha irmã, iluminou a nossa vida e é-nos agora um sol interior. Sabemos que o melhor que somos vem dela. Vivia inclinada para nós, à nossa escuta: dava-nos um cuidado sem descanso, uma atenção sem intervalo. Mas detestava sentimentalismos exibidos. Fingia que não queria mimo, mas ficava maior com ele. Havia nela uma autoridade natural perante o mundo e os outros. Em casa, era uma rainha sentada no seu trono, a quem toda a gente reconhecia e prestava homenagem. O meu pai adorava-a. As amigas adoravam-na. Os filhos e os amigos dos filhos adoravam-na.
Era dona de uma inteligência muito acima da sua instrução: rápida, ágil, astuta, concisa. Tinha uma graça céptica e jovial, que a velhice aguçou. Percebia tudo antes de toda a gente: da política à psicologia. Usava um espírito crítico insubmisso e ilimitado. Nunca se rendia! Gostava de histórias e de segredos. Ao contrário do meu pai, gostava de futebol - e era do Benfica. Via os jogos com paixão e impaciência. Era boa, sem ser 'boazinha'! Era justa e atenta a quem precisava de ajuda. Era nervosa e resistente, voluntariosa e fatalista, teimosa e perspicaz, corajosa e por vezes obsessiva. Era muito frágil e muito forte.
Esta é a hora em que me lembro de todos os meus dias, desde o nascimento, pois ela está em todos eles. Às vezes, está neles mais do que eu. Guardo nos meus olhos o seu rosto belo. Nos meus ouvidos, a sua voz jovem. Guardo no meu corpo a memória das suas mãos. Quando, todas as manhãs, subia da minha casa à sua para a saudar, ela compunha-me sempre a gravata ou a gola do casaco. Era a sua maneira de me fazer uma festa. Conservarei até ao meu fim esse seu gesto (esse seu jogo), que acrescentava o meu corpo de força e de certeza.
Aos 85 anos, estava activa e lúcida como poucos. Fazia a sua vida como sempre fizera. Há dois meses, uma dor numa perna revelou uma 'fractura espontânea' (sem queda) do colo do fémur. Foi operada e correu bem (Hospital de São Lázaro). Quando já estava em casa a começar a andar, um trombo impediu-lhe a artéria da outra perna e foi de novo operada (Hospital de Santa Marta). Sucederam-se complicações: esteve a morrer, mas foi possível salvá-la. Melhorou e, quando estava de novo em casa, há apenas um dia, apareceu uma infecção que finalmente a venceu (Hospital dos Capuchos e de São José). Sofreu muito durante este tempo. Hora a hora, sentia-se mais cercada. Dizia: "Já não tenho lágrimas para chorar." Falava da morte, agarrada à vida. Depois da vida, agarrada à morte. Durante estes dias da doença, da recuperação, da agonia, conheceu nos hospitais o horror e a desatenção, mas também o cuidado e o carinho. Mas estes hospitais, mesmo aqueles que são os melhores, já não servem e é imperioso que deixem de servir. Por excelentes que sejam os cuidados médicos aí prestados (e, ao contrário da Urgência, a UCIP, cuidados intensivos de São José, é um exemplo de rara qualidade), estes velhos e inadequados hospitais são inaceitáveis pela humilhação que fazem aos doentes e aos que neles trabalham. Nestes meses (que nos acrescentaram uma anterior experiência de anos com a doença do meu pai), eu e a minha irmã vivemos nos hospitais ao lado da minha mãe e poderíamos fazer um relatório maior que o de uma comissão especializada.
Nesta Primavera que se me tornou Inverno, a minha mãe morreu, e eu sei que a sua ausência põe fim ao meu reino. A partir de agora, estou no exílio, por mais feliz ou dourado que possa ser. A sua morte é, de todas as coisas do mundo, a que menos me é alheia: deu-se também em mim. É-me, por isso, ao mesmo tempo impensável, insuportável e irreal. Para dar a essa morte a grandeza da sua vida comum e do seu amor por nós, digo poemas que falam das mães: de Herberto, de Sophia, de Eugénio.
E de Torga: "Mãe/ Que desgraça na vida aconteceu,/ Que ficaste insensível e gelada?/ Que todo o teu perfil se endureceu/ Numa linha severa e desenhada?// Como as estátuas, que são gente nossa/ Cansada de palavras e ternura,/ Assim tu me pareces no teu leito./ Presença cinzelada em pedra dura,/ Que não tem coração dentro do peito.// Chamo aos gritos por ti - não me respondes./ Beijo-te as mãos e o rosto - sinto frio./ Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes/ Por detrás do terror deste vazio.// Mãe:/ Abre os olhos ao menos, diz que sim!/ Diz que me vês ainda, que me queres./ Que és a eterna mulher entre as mulheres./ Que nem a morte te afastou de mim!" in Unica.
sexta-feira, junho 12, 2009
Se eu fosse um pessimista...
... era tudo mais fácil! Porque sem dúvida que é mais simples pensar que tudo vai correr mal. Há a ideia que é miserável ser pessimista. É mentira! É óptimo! Não há expectativas, logo não há desilusões. Se algo é bom podia ser muito bom. Se algo é muito bom, podia ser perfeito. Se algo é perfeito (nunca o é para um pessimista), não o é durante muito tempo. Aliás, a vida é uma porra! Sobretudo porque mete pessoas. Os pessimistas deviam poder matar todos os optimistas e depois matar todos os pessimistas. Teríamos no fim o maior pessimista. Ou se calhar o que mais odiava os pessimistas. Se calhar até se tornava optimista. Ou então dava um tiro na cabeça. O que de todo em todo não era nenhum desperdício...
Qual é o objectivo de um pessimista? Mostrar a toda a gente que o mundo é uma merda e que não temos hipótese? Ou fazer o frete de viver? E quando é que um pessimista descobre que é pessimista? Quando nasce e não percebe onde está? Ou quando tem a primeira desilusão e faz a primeira birra? (todo este parágrafo é constituido por perguntas sem resposta dada, o que é muito fácil, e se é fácil, é claramente um parágrafo pessimista, o que significa que estou a absorver o pessimismo das minhas palavras).
Os pessimistas costumam dizer que não são pessimistas. São realistas! Porque obviamente a realidade só pode ser péssima. Só as pessoas que vêem a vida como um conjunto de eventos terríveis (e que os eventos menos terríveis são só premonições para outras piores) é que conhecem a realidade. Todos sabemos que os seres humanos são iminentemente maus e egoístas! E mesmo que só tenha um acto mau depois de uma vida boa, só vem dar razão aos pessimistas porque nos desiludia ainda mais. Ora, sendo assim, a única forma de não desiludir um pessimista é sendo sempre mau. É claro que se formos todos maus, acabamos por nos matarmos todos uns aos outros, o que de todo em todo não era nenhum desperdício...
Dificilmente dois pessimistas tem uma relação. ISto porque ambos sabem que nada é eterno. Logo se tudo é passageiro, para quê arranjar chatices? Uma nota aparte, dois optimistas também se haveriam de chatear e tornavam-se pessimistas, o que para esta dissertação é igual. Assim, todas as relações tem que ter um optimista e um pessimista. Porque o optimista precisa de alguém para tentar ajudar, e o pessimista precisa de alguém para mostrar como o mundo não é nada positivo. Sabemos também que o mais normal é as relações acabarem e acabarmos todos sozinhos e deprimidos. Ora normalmente a depressão leva ao apagamento ou até à morte, o que de todo em todo não era nenhum desperdício...
Se eu fosse pessimista, se calhar era mais feliz! O que é um paradoxo, pois todos sabemos que para o pessimista não existe felicidade. Existe uma espécie de alívio feliz quando tudo corre mal e é-nos dada a razão. E até porque essa coisa da felicidade deve dar muito trabalho. Andar sempre a sorrir e com vontade de ajudar ou outros. Para quê? Na melhor das hipóteses, a pessoa que ajudamos diria obrigado. Mas se fui obrigado para que é que o ajudei? E normalmente as pessoas nunca nos retribuem o favor. Então que se lixe ajudar. Mais vale deixar toda a gente morrer, o que de todo em todo não é nenhum desperdício...
(Se calhar já ninguém me está a ler! Havia de haver uma caixa de comentários aqui a meio, onde as pessoas pudessem por uma cruz _X_ se ainda estivessem a ler. Mas como sou pessimista, estou certo que já perdi muitos dos meus leitores. Com certeza não ganhei nenhum, porque ninguém começa a ler um texto destes a meio. Tinham que descer o cursor ao calhas e começar a partir daqui. Vai-se a ver perderei todos até ao fim do texto. O que de todo em todo não é nenhum desperdício...)
Se eu fosse pessimista, as minhas amizades coloridas acabavam todas. Umas porque a cor acabava, outras porque a amizade acabava. Umas por culpa minha e outras por culpa dos outros. É claro que a minha culpa é relativa porque se sou realista, quer dizer que os outros é que estão mal. Não tenho culpa que se comecem a envolver e eu não querer mais. Bem sei que o pessimismo é mais sexy do que o optimismo, mas se sou pessimista porque é que criam ilusões? É sempre melhor ser pessimista e não criar ilusões. Sonhar é para os tolinhos. Se um inventor erra 99 vezes e acerta na centésima, como é que isso pode ser bom? Não é. Falhou muitas mais vezes. Perdeu tempo. E mais a mais as invenções são uma estupidez porque não encaixam na realidade. Tentam melhorar o mundo, quando todos sabemos que ele só pode piorar. Só se inventarem algo para piorá-lo mais depressa, o que de todo em todo não é nenhum desperdício...
Diz-se que o fado é pessimista! Não faço ideia. Sei que o destino de todos nós é a morte e o esquecimento, logo isto é real. E se é real, nem precisa ser pessimista. Os portugueses não são pessimistas. São optimistas desiludidos. Porque é que é diferente? Porque se queixam muito. Um pessimista não se queixa. Reporta factos reais. Ele sabe que não adianta queixar nem chorar. O mundo é assim e não valem a pena lamúrias. Por tudo isto deviamos era ficarmos todos calados, o que de todo em todo não é nenhum desperdicio...
Pois é, se eu fosse um pessimista era tudo muito mais fácil. O problema é que eu nunca gostei muito de coisas fáceis. E prefiro ser sempre contra o pessimismo. Por isso é que me desiludo tanto. E se calhar um dia vou-me embora para uma ilha deserta e fico a falar sozinho. O que já sabemos que de todo em todo não era desperdício nenhum...
... era tudo mais fácil! Porque sem dúvida que é mais simples pensar que tudo vai correr mal. Há a ideia que é miserável ser pessimista. É mentira! É óptimo! Não há expectativas, logo não há desilusões. Se algo é bom podia ser muito bom. Se algo é muito bom, podia ser perfeito. Se algo é perfeito (nunca o é para um pessimista), não o é durante muito tempo. Aliás, a vida é uma porra! Sobretudo porque mete pessoas. Os pessimistas deviam poder matar todos os optimistas e depois matar todos os pessimistas. Teríamos no fim o maior pessimista. Ou se calhar o que mais odiava os pessimistas. Se calhar até se tornava optimista. Ou então dava um tiro na cabeça. O que de todo em todo não era nenhum desperdício...
Qual é o objectivo de um pessimista? Mostrar a toda a gente que o mundo é uma merda e que não temos hipótese? Ou fazer o frete de viver? E quando é que um pessimista descobre que é pessimista? Quando nasce e não percebe onde está? Ou quando tem a primeira desilusão e faz a primeira birra? (todo este parágrafo é constituido por perguntas sem resposta dada, o que é muito fácil, e se é fácil, é claramente um parágrafo pessimista, o que significa que estou a absorver o pessimismo das minhas palavras).
Os pessimistas costumam dizer que não são pessimistas. São realistas! Porque obviamente a realidade só pode ser péssima. Só as pessoas que vêem a vida como um conjunto de eventos terríveis (e que os eventos menos terríveis são só premonições para outras piores) é que conhecem a realidade. Todos sabemos que os seres humanos são iminentemente maus e egoístas! E mesmo que só tenha um acto mau depois de uma vida boa, só vem dar razão aos pessimistas porque nos desiludia ainda mais. Ora, sendo assim, a única forma de não desiludir um pessimista é sendo sempre mau. É claro que se formos todos maus, acabamos por nos matarmos todos uns aos outros, o que de todo em todo não era nenhum desperdício...
Dificilmente dois pessimistas tem uma relação. ISto porque ambos sabem que nada é eterno. Logo se tudo é passageiro, para quê arranjar chatices? Uma nota aparte, dois optimistas também se haveriam de chatear e tornavam-se pessimistas, o que para esta dissertação é igual. Assim, todas as relações tem que ter um optimista e um pessimista. Porque o optimista precisa de alguém para tentar ajudar, e o pessimista precisa de alguém para mostrar como o mundo não é nada positivo. Sabemos também que o mais normal é as relações acabarem e acabarmos todos sozinhos e deprimidos. Ora normalmente a depressão leva ao apagamento ou até à morte, o que de todo em todo não era nenhum desperdício...
Se eu fosse pessimista, se calhar era mais feliz! O que é um paradoxo, pois todos sabemos que para o pessimista não existe felicidade. Existe uma espécie de alívio feliz quando tudo corre mal e é-nos dada a razão. E até porque essa coisa da felicidade deve dar muito trabalho. Andar sempre a sorrir e com vontade de ajudar ou outros. Para quê? Na melhor das hipóteses, a pessoa que ajudamos diria obrigado. Mas se fui obrigado para que é que o ajudei? E normalmente as pessoas nunca nos retribuem o favor. Então que se lixe ajudar. Mais vale deixar toda a gente morrer, o que de todo em todo não é nenhum desperdício...
(Se calhar já ninguém me está a ler! Havia de haver uma caixa de comentários aqui a meio, onde as pessoas pudessem por uma cruz _X_ se ainda estivessem a ler. Mas como sou pessimista, estou certo que já perdi muitos dos meus leitores. Com certeza não ganhei nenhum, porque ninguém começa a ler um texto destes a meio. Tinham que descer o cursor ao calhas e começar a partir daqui. Vai-se a ver perderei todos até ao fim do texto. O que de todo em todo não é nenhum desperdício...)
Se eu fosse pessimista, as minhas amizades coloridas acabavam todas. Umas porque a cor acabava, outras porque a amizade acabava. Umas por culpa minha e outras por culpa dos outros. É claro que a minha culpa é relativa porque se sou realista, quer dizer que os outros é que estão mal. Não tenho culpa que se comecem a envolver e eu não querer mais. Bem sei que o pessimismo é mais sexy do que o optimismo, mas se sou pessimista porque é que criam ilusões? É sempre melhor ser pessimista e não criar ilusões. Sonhar é para os tolinhos. Se um inventor erra 99 vezes e acerta na centésima, como é que isso pode ser bom? Não é. Falhou muitas mais vezes. Perdeu tempo. E mais a mais as invenções são uma estupidez porque não encaixam na realidade. Tentam melhorar o mundo, quando todos sabemos que ele só pode piorar. Só se inventarem algo para piorá-lo mais depressa, o que de todo em todo não é nenhum desperdício...
Diz-se que o fado é pessimista! Não faço ideia. Sei que o destino de todos nós é a morte e o esquecimento, logo isto é real. E se é real, nem precisa ser pessimista. Os portugueses não são pessimistas. São optimistas desiludidos. Porque é que é diferente? Porque se queixam muito. Um pessimista não se queixa. Reporta factos reais. Ele sabe que não adianta queixar nem chorar. O mundo é assim e não valem a pena lamúrias. Por tudo isto deviamos era ficarmos todos calados, o que de todo em todo não é nenhum desperdicio...
Pois é, se eu fosse um pessimista era tudo muito mais fácil. O problema é que eu nunca gostei muito de coisas fáceis. E prefiro ser sempre contra o pessimismo. Por isso é que me desiludo tanto. E se calhar um dia vou-me embora para uma ilha deserta e fico a falar sozinho. O que já sabemos que de todo em todo não era desperdício nenhum...
segunda-feira, junho 08, 2009
Sempre adorei observar e compreender a psique humana. Não por forma a julgar ou criar rótulos, mas sim a entender o indivíduo. John Donne escreveu que nenhuma homem é uma ilha. Concordo! Acho que cada homem é um istmo. Tem sempre uma ligação aos outros. Seja maior, menor, submersa, visível, todo o ser humano tem uma ligação ao mundo dos outros. Por isso a Psicologia me fascina. Mais do que a Psiquiatria. A mim a parte médica ou física pouco me importa. Importam-me as pulsões e os comportamentos, não as reacções químicas e fisiológicas que as despoletam. Ler a mente de alguém é impossível, segundo dizem. Mas e ler todos os sinais que as pessoas emanam? Um trejeito, um discurso, uma pausa, um olhar. Decidi tirar o curso de Psicologia por isso mesmo. Ou talvez porque procuro em cada louco a sua humanidade, sabendo que toda a humanidade tem a sua loucura. Até eu! Será uma loucura saudável, mas ainda assim estou certo que alguma pessoa me achará louco. Seja por expôr aqui os sentimentos ou pensamentos, seja por preferir dizer uma cruel verdade do que uma mentira piedosa, seja por afirmar que sou um observador humano.
Talvez por tudo isto me chateiem as "one night stands"! Ficaram confusos? Eu explico. Nos meus namoros e amizades coloridas, sempre dei maior importância ao que não era físico. Não estou a dizer que não adore a parte física. É óbvio que sim! A minha costela brasileira apela ao físico. Mas estou 100% seguro que não é isso que me atrai nos outros e tampouco o que atrai em mim aos outros. Não sei se todas as mulheres com quem estive eram pelas pelos padrões dos outros. Eram para mim. A sua unicidade, as suas imperfeições, transformavam-nas em telas perfeitas. Sim, tive contacto físico com elas, mas importava-me saber que quando faziam determinado gesto ou diziam certa palavra, algo estava certo ou errado. Talvez por isso falem do meu olhar malandro. Porque é o olhar traquina de quem se está a deliciar a conhecer a outra pessoa. E talvez por isso eu procure continuar as amizades para além do mero contacto físico. As "one night stands" não permitem isso. Há o delicioso jogo da sedução, o fantástico momento da comunhão das vontades, mas falta a suprema satisfação de dois seres que se entendem, preocupam, conhecem. Diferencio as "one night stands" em não não houve mais comunicação (nunca por vontade minha) das amizades coloridas em que só por uma vez tenha havido contacto físico. Porque é possivel duas pessoas terem o desejo e ensejo de partilhar o corpo e depois (seja por não terem gostado ou haver risco de envolvimento não desejado, ou até por falta de oportunidade) decidirem partilhar "apenas" tudo o resto. Tive 3 ou 4 "one night stands" (e espero não ter mais nenhuma) e tudo o resto amizades coloridas ou namoros.
Neste momento é a Psicologia que chama por mim. Mais uma viagem no meu agitado Mundo...
Talvez por tudo isto me chateiem as "one night stands"! Ficaram confusos? Eu explico. Nos meus namoros e amizades coloridas, sempre dei maior importância ao que não era físico. Não estou a dizer que não adore a parte física. É óbvio que sim! A minha costela brasileira apela ao físico. Mas estou 100% seguro que não é isso que me atrai nos outros e tampouco o que atrai em mim aos outros. Não sei se todas as mulheres com quem estive eram pelas pelos padrões dos outros. Eram para mim. A sua unicidade, as suas imperfeições, transformavam-nas em telas perfeitas. Sim, tive contacto físico com elas, mas importava-me saber que quando faziam determinado gesto ou diziam certa palavra, algo estava certo ou errado. Talvez por isso falem do meu olhar malandro. Porque é o olhar traquina de quem se está a deliciar a conhecer a outra pessoa. E talvez por isso eu procure continuar as amizades para além do mero contacto físico. As "one night stands" não permitem isso. Há o delicioso jogo da sedução, o fantástico momento da comunhão das vontades, mas falta a suprema satisfação de dois seres que se entendem, preocupam, conhecem. Diferencio as "one night stands" em não não houve mais comunicação (nunca por vontade minha) das amizades coloridas em que só por uma vez tenha havido contacto físico. Porque é possivel duas pessoas terem o desejo e ensejo de partilhar o corpo e depois (seja por não terem gostado ou haver risco de envolvimento não desejado, ou até por falta de oportunidade) decidirem partilhar "apenas" tudo o resto. Tive 3 ou 4 "one night stands" (e espero não ter mais nenhuma) e tudo o resto amizades coloridas ou namoros.
Neste momento é a Psicologia que chama por mim. Mais uma viagem no meu agitado Mundo...
sexta-feira, junho 05, 2009
sábado, maio 30, 2009
quinta-feira, maio 28, 2009
segunda-feira, maio 25, 2009
Tenho descoberto em mim algo que não conhecia! Descobri há muito que sou um homem das artes. O talento emociona-me ao mais profundo de mim! A escrita, o teatro, o cinema, a dança. Mas a música.. É a música que me transporta a um nível tão fundo que transparece imediatamente na pele arrepiada e nas lágrimas que correm pela minha cara. Vi há uns dias o filme "Os Miseráveis" com uma interpretação notável de Liam Neeson! Penitencio-me por nunca ter lido o livro (apenas uma versão em banda desenhada) e não conhecia a maravilhosa estória de Jean Valjean! Por coincidência no concurso Britain Got Talent apareceram duas interpretações (Susan Boyle e Jamie Pugh) maravilhosas do musical. E agora ando morto por ver o musical. Mostro-vos as duas interpretações do décimo aniversário do musical em Londres. Apreciem, tanto como eu...
domingo, maio 24, 2009
sábado, maio 23, 2009
August Rush! Um filme de 2007 que desconhecia e que me fez sorrir como há muito não fazia nenhum. Não é um daqueles filmes que fica na História do Cinema como um filme de culto. Não! Mas é um filme para nos sentirmos bem. O tema central é a música! E os afectos! Nunca se deve desistir de procurar o amor e a felicidade. Deixo-vos o trailer e uma música cantada pelo surpreendente Jonathan Rhys Meyers...
terça-feira, maio 12, 2009
Yes Man não é um filme daqueles que figurará na galeria dos melhores filmes de sempre! Jim Carrey faz um papel como ele sabe fazer, usa o humor para passar uma certa mensagem. E neste caso, fala do positivismo! A ideia do filme é a transformação de um homem que vive a vida em negação. Literalmente diz não a tudo e acaba por viver sozinho o tempo todo pois evita os amigos. A certa altura vai ao seminário de auto-ajuda! E tem de dizer sim a tudo. Ora a verdade é que dizer sim traz coisas boas. E é assim que eu também vejo a vida. Quanto mais felizes tentarmos ser, mais a vida parece que nos sorri. Uma sucessão de belos eventos até que ele responde não a algo e as tragédias parecem suceder-se! Confronta então o autor de seminário e percebe que o "não" é necessário à vida. E essa é a lição do filme! O facto de sermos positivos não faz de nós seres amorfos e sem capacidade de escolher o melhor para nós. Sorrirmos para a vida implica fazer as nossas próprias escolhas, seguir o nosso caminho. Mesmo quando tudo parece correr mal, é sempre melhor enfrentar as coisas com a cabeça levantada.
Já tive problemas de saude, desemprego, traições, namoros acabados, mas poucas foram as vezes que perdi o sorriso. E quem me conhece sabe que tento sempre manter a tranquilidade e o positivismo. Seja de ser sagitário, seja de ter tido sempre o apoio dos meus pais, a verdade é que nada na vida me parece irremediável...
sexta-feira, maio 08, 2009
Ah, finalmente comecei a receber algumas dúvidas e questões!
Primeiramente, uma anónima (e tenho pena que não se tenha identificado porque preferia tratar pelo nome) deixou-me estas perguntas:
"Primas pela kuantidade ou kualidade?? A kuantas axas k deste kualidade?"
Ora bem, tenho de ver o que estou a responder! Sou desde sempre um apoiante da qualidade em detrimento da quantidade. Já aqui confessei que padeço de uma disfunção chamada "ejaculação tardia", que faz com que o acto sexual se prolongue mais pelo normal. Ora isto tem um outro lado, que é o periodo entre "dar duas" seja maior. Aliás, poucas foram as vezes que dei mais do que uma na mesma noite. No entanto, durante esse acto único procura dar o melhor de mim e sobretudo ter prazer dando prazer. Não é um qualquer acto de cavalheirismo bacoco, é mesmo porque tenho genuino prazer vendo que a mulher com quem estou tem prazer. Isto porque o facto de demorar a (ou por vezes nem sequer) ejacular faz com que me esforce mais com o prazer alheio do que com o meu. E por tudo isso, acho que dei qualidade, senão a todas, à maior parte! Se estou a responder ao facto de se prefiro estar uma vez ou muitas com uma mulher, prefiro é que cada vez que esteja com ela, seja com qualidade. Não faço sexo por fazer. Prefiro uma bela vez que muitas más! E quando não há quimica à primeira, segunda, não é preciso uma terceira para ser preferível preservar a amizade do que outra coisa.
Ainda ontem vi um filme espanhol que se chama "Diário de uma Ninfomaníaca"! Não, não é um filme porno. É para maiores de 18, mas sem pornografia. E nesse filme falava-se juntamente da frequência do sexo! Numa passagem a avó da personagem principal diz que a ninfomania é uma invenção humana para uma mulher que sai fora da regra. Porque o que é um exagero de sexo? É estar sempre a pensar nisso? Ou querer fazê-lo? Diz-se que um homem pensa em sexo de minuto a minuto, por isso porque não poderá uma mulher fazê-lo! A quantidade de sexo que dois seres humanos que se desejam devem ter, é algo que não pode ser medido. Importe que haja algo bom e daí advém a qualidade. Se essa qualidade se juntar a quantidade, eu sou o primeiro a dizer: PERFEITO! Aqui fica o trailer do filme...
Em segundo lugar, a minha querida Esse deixou esta pergunta:
"O que é que diferencia este teu blogue do blogue "francisco del mundo"?"
Esta resposta é mais fácil! O Francisco del Mundo é o meu pseudónimo. Nesse blog é onde comento a minha visão do mundo. Seja o mundo literário, musical, cinematográfico, etc. É o mundo que existe e é visto pelos meus olhos. Ora, este meu diário é escrito pelo Francisco. É o meu mundo visto por fora! Nunca tive receio de me expor. Sejam actos, sentimentos, pensamentos. Para quem leu todos os posts, já escrevi aqui alegre, triste, desvastado. No outro, procuro ser parcial (porque é a minha visão) mas neutro. Por isso decidi por este desafio às mulheres.
Fico à espera de mais questões...
Primeiramente, uma anónima (e tenho pena que não se tenha identificado porque preferia tratar pelo nome) deixou-me estas perguntas:
"Primas pela kuantidade ou kualidade?? A kuantas axas k deste kualidade?"
Ora bem, tenho de ver o que estou a responder! Sou desde sempre um apoiante da qualidade em detrimento da quantidade. Já aqui confessei que padeço de uma disfunção chamada "ejaculação tardia", que faz com que o acto sexual se prolongue mais pelo normal. Ora isto tem um outro lado, que é o periodo entre "dar duas" seja maior. Aliás, poucas foram as vezes que dei mais do que uma na mesma noite. No entanto, durante esse acto único procura dar o melhor de mim e sobretudo ter prazer dando prazer. Não é um qualquer acto de cavalheirismo bacoco, é mesmo porque tenho genuino prazer vendo que a mulher com quem estou tem prazer. Isto porque o facto de demorar a (ou por vezes nem sequer) ejacular faz com que me esforce mais com o prazer alheio do que com o meu. E por tudo isso, acho que dei qualidade, senão a todas, à maior parte! Se estou a responder ao facto de se prefiro estar uma vez ou muitas com uma mulher, prefiro é que cada vez que esteja com ela, seja com qualidade. Não faço sexo por fazer. Prefiro uma bela vez que muitas más! E quando não há quimica à primeira, segunda, não é preciso uma terceira para ser preferível preservar a amizade do que outra coisa.
Ainda ontem vi um filme espanhol que se chama "Diário de uma Ninfomaníaca"! Não, não é um filme porno. É para maiores de 18, mas sem pornografia. E nesse filme falava-se juntamente da frequência do sexo! Numa passagem a avó da personagem principal diz que a ninfomania é uma invenção humana para uma mulher que sai fora da regra. Porque o que é um exagero de sexo? É estar sempre a pensar nisso? Ou querer fazê-lo? Diz-se que um homem pensa em sexo de minuto a minuto, por isso porque não poderá uma mulher fazê-lo! A quantidade de sexo que dois seres humanos que se desejam devem ter, é algo que não pode ser medido. Importe que haja algo bom e daí advém a qualidade. Se essa qualidade se juntar a quantidade, eu sou o primeiro a dizer: PERFEITO! Aqui fica o trailer do filme...
Em segundo lugar, a minha querida Esse deixou esta pergunta:
"O que é que diferencia este teu blogue do blogue "francisco del mundo"?"
Esta resposta é mais fácil! O Francisco del Mundo é o meu pseudónimo. Nesse blog é onde comento a minha visão do mundo. Seja o mundo literário, musical, cinematográfico, etc. É o mundo que existe e é visto pelos meus olhos. Ora, este meu diário é escrito pelo Francisco. É o meu mundo visto por fora! Nunca tive receio de me expor. Sejam actos, sentimentos, pensamentos. Para quem leu todos os posts, já escrevi aqui alegre, triste, desvastado. No outro, procuro ser parcial (porque é a minha visão) mas neutro. Por isso decidi por este desafio às mulheres.
Fico à espera de mais questões...
quinta-feira, abril 30, 2009
Ora bem, mostrando que apesar de conhecer muito, é impossivel saber tudo sobre as mulheres, uma amiga disse-me que este blog não dizia muito de mim! Pois bem, decidi então por na mão das minhas leitoras o que querem saber sobre mim ou sobre o mundo dos homens. Todas as perguntas, curiosidades, cusquices serão respondidas sem rodeios... Fico à espera...
quarta-feira, abril 29, 2009
domingo, abril 26, 2009
Aqui falei há dias de Susan Boyle e da primeira oportunidade que poderá ter através do Britain Got Talent! Shaheen tem 12 anos e talvez tenha a sua oportunidade. Na primeira aparição em frente ao público e juizes teve uma má escolha de primeira canção. Poderia ter sido o fim de tudo! Mas não. Simon Cowell decidiu dar outra chance e pediu para cantar outra coisa. E depois... Depois é o que se pode ver no video...
sexta-feira, abril 24, 2009
Ora, é quando recebemos miminhos blogosféricos de belas meninas que dá mais vontade de continuar! Assim:
Primeiro a bela Bombokinha ofereceu-me este prémio que partilho com todos os leitores deste blog...
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E depois a bela Pipoca dos Saltos Altos deixou-me este belo elogio...
"És o primeiro homem com quem me identifico a falar de Amor. Gostei muito de descobrir o teu blogue!"
Bom ouvir estas coisas...
Primeiro a bela Bombokinha ofereceu-me este prémio que partilho com todos os leitores deste blog...
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E depois a bela Pipoca dos Saltos Altos deixou-me este belo elogio...
"És o primeiro homem com quem me identifico a falar de Amor. Gostei muito de descobrir o teu blogue!"
Bom ouvir estas coisas...
sábado, abril 18, 2009
Sinceramente não há uma pessoa que a olhar para Susan Boyle, não pense que ela se enganou e apareceu para limpar os camarins. Ainda mais do que quando foi Paul Potts! Porque estamos habituados a Britneys e Rihannas e não achamos que uma pessoa de 47 anos e não tão atraente seja capaz de por de boca aberta! Mas pôs.. Eu nunca, nunca, em todos os programas que acompanhei, vi o Simon Cowell com um sorriso tão aberto e sincero... aqui fica...
quinta-feira, abril 16, 2009
Um caro amigo mostrou-me um projecto ao qual se encontra ligado e que achei por bem divulgar:
Foi inaugurado o site antigosalunos.net, destinado ao reencontro de antigas amizades dos nossos tempos de estudo ou mesmo de qualquer tipo de cursos pós-graduações ou afins. Na base de dados, encontram-se incluídos todos os tipos de instituições, desde jardins de infância até universidades. As que não se encontrarem na base de dados (instituições ou cursos), está previsto o envio facilitado, para o site, de uma info, pelo utilizador, de um mail solicitando a inclusão da instituição/curso em falta.
Sendo assim e assin sendo, incito-vos a irem espreitar e participar nesta bela ideia...
Foi inaugurado o site antigosalunos.net, destinado ao reencontro de antigas amizades dos nossos tempos de estudo ou mesmo de qualquer tipo de cursos pós-graduações ou afins. Na base de dados, encontram-se incluídos todos os tipos de instituições, desde jardins de infância até universidades. As que não se encontrarem na base de dados (instituições ou cursos), está previsto o envio facilitado, para o site, de uma info, pelo utilizador, de um mail solicitando a inclusão da instituição/curso em falta.
Sendo assim e assin sendo, incito-vos a irem espreitar e participar nesta bela ideia...
terça-feira, abril 14, 2009
sexta-feira, abril 10, 2009
O paradoxo egoísta do amor
Diz-se que o amor para ser completo tem de ser partilhado. Temos que dar para receber. E nessa altura tornamo-nos exigentes e em última instância egoistas. O amor numa escala maior que a amizade, exige tempo, dedicação, atenção, carinho. Porque os amigos, tal como a família, estarão sempre lá. Sabemos que podemos estar sem ver um amigo ou um primo durante dez anos que ele continuará a ser o amigo ou primo. E o Amor? O Amor alimenta-se de dias, de toque, de constância. Ou será que não? Será que um verdadeiro Amor sobrevive às esquinas de tempo, à inclemência da distância, ao perigo da intermitência? Acho que sim. Um verdadeiro Amor, sim. Resiste até à passagem de outras pessoas pela nossa vida. Porque o nosso corpo é egoista, exige a presença física de alguém, mas o coração é ainda mais egoísta porque alimenta-se e sacia-se com uma determinada pessoa. O ser humano tem vários amores ao longo da vida. O coração engana-se algumas vezes, pensado que encontrou a pessoa certa. Depois compreende que não, chora e procura outro. Porque o ser humano não consegue abdicar do Amor uma vida inteira. Algumas vezes pode não encontrar a metade da sua laranja, a sua cara-metade, o outro corpo da sua alma. Outras descobrem tarde na vida, ainda que a tempo porque basta um dia de Amor partilhado para que uma vida sem Amor seja esquecida. Outras ainda descobrem-na quando estão comprometidas e tem então duas hipóteses: honrar os compromissos anteriores com o consolo que descobriu a sua cara-metade ou romper com os compromissos porque não se consegue ser leal à pessoa com quem se está quando o coração sabe que existe outra que o faz sentir mais completa.
Lembro muitas vezes Gabriel Garcia Marquez e o seu "El Amor en los tiempos del cólera". Ele conseguiu captar a essência de todos os paradoxos que aqui falei. Florentino e Fermina vivem um amor juvenil, febril. Dir-se-ia que tinham tido a sorte de ter encontrado o Amor ainda jovens. Mas não! As circuntâncias da vida tinham outros desígnios. Para ela o casamento com Juvenal Urbino. Um casamento de sentimentos estáveis e duradouros que resistiu 50 anos e apenas sucumbiu com a morte. Para ele inúmeras mulheres, anotadas num caderninho que matavam a fome do corpo mas não da alma. E por isso passados mais de cinco décadas, Florentino decidiu declarar o seu Amor pela segunda vez. Fermina não resistiu ao apelo que o seu coração adormeceu. E juntos comumgaram do resto dos dias e as intermináveis viagens do vapor.
Por isso já afirmei noutra ocasião a diferença entre a fidelidade e a lealdade. Por muito que se queira não se pode enganar o coração...
Diz-se que o amor para ser completo tem de ser partilhado. Temos que dar para receber. E nessa altura tornamo-nos exigentes e em última instância egoistas. O amor numa escala maior que a amizade, exige tempo, dedicação, atenção, carinho. Porque os amigos, tal como a família, estarão sempre lá. Sabemos que podemos estar sem ver um amigo ou um primo durante dez anos que ele continuará a ser o amigo ou primo. E o Amor? O Amor alimenta-se de dias, de toque, de constância. Ou será que não? Será que um verdadeiro Amor sobrevive às esquinas de tempo, à inclemência da distância, ao perigo da intermitência? Acho que sim. Um verdadeiro Amor, sim. Resiste até à passagem de outras pessoas pela nossa vida. Porque o nosso corpo é egoista, exige a presença física de alguém, mas o coração é ainda mais egoísta porque alimenta-se e sacia-se com uma determinada pessoa. O ser humano tem vários amores ao longo da vida. O coração engana-se algumas vezes, pensado que encontrou a pessoa certa. Depois compreende que não, chora e procura outro. Porque o ser humano não consegue abdicar do Amor uma vida inteira. Algumas vezes pode não encontrar a metade da sua laranja, a sua cara-metade, o outro corpo da sua alma. Outras descobrem tarde na vida, ainda que a tempo porque basta um dia de Amor partilhado para que uma vida sem Amor seja esquecida. Outras ainda descobrem-na quando estão comprometidas e tem então duas hipóteses: honrar os compromissos anteriores com o consolo que descobriu a sua cara-metade ou romper com os compromissos porque não se consegue ser leal à pessoa com quem se está quando o coração sabe que existe outra que o faz sentir mais completa.
Lembro muitas vezes Gabriel Garcia Marquez e o seu "El Amor en los tiempos del cólera". Ele conseguiu captar a essência de todos os paradoxos que aqui falei. Florentino e Fermina vivem um amor juvenil, febril. Dir-se-ia que tinham tido a sorte de ter encontrado o Amor ainda jovens. Mas não! As circuntâncias da vida tinham outros desígnios. Para ela o casamento com Juvenal Urbino. Um casamento de sentimentos estáveis e duradouros que resistiu 50 anos e apenas sucumbiu com a morte. Para ele inúmeras mulheres, anotadas num caderninho que matavam a fome do corpo mas não da alma. E por isso passados mais de cinco décadas, Florentino decidiu declarar o seu Amor pela segunda vez. Fermina não resistiu ao apelo que o seu coração adormeceu. E juntos comumgaram do resto dos dias e as intermináveis viagens do vapor.
Por isso já afirmei noutra ocasião a diferença entre a fidelidade e a lealdade. Por muito que se queira não se pode enganar o coração...
quinta-feira, abril 02, 2009
domingo, março 29, 2009
Vi de uma assentada só a segunda temporada da série Californication! Escusado será dizer que adoro a personagem de Hank Moody (David Duchovny). Um escritor corrosivo que apesar de descair em muitas mulheres, ama incondicionalmente a mãe da sua filha e a sua filha! Aqui fica a minha cena favorita, juntamente com a carta que decidiu escrever aquela que no primeiro encontro descobriu ser a mulher da sua vida...
“dear karen,
if you’re reading this, it means i actually worked up the courage to mail it. so, good for me. you don’t know me very well but you get me started, i have a tendency to go on and on about how hard the writing is for me. but this… this is the hardest thing i’ve ever had to write. there’s no easy way to say this, so i’ll just say it.
i met someone.
it was an accident. i wasn’t looking for it. it wasn’t on the make. it was a perfect storm. she said one thing. i said another. next thing i knew, i wanted to spend the rest of my life in the middle of that conversation. now there’s this feeling in my gut. she might be the one. she’s completely nuts… in a way that makes me smile — highly neurotic. a great deal of maintenance required.
she is you, karen.
that’s the good news. the bad is that i don’t know how to be with you right now. and it scares the shit out of me. because if i’m not with you right now, i have this feeling we’ll get lost out there. it’s a big, bad world full of twists and turns, and people have a way of blinking and missing the moment… the moment that could’ve changed everything.
i don’t know what’s going on with us, and i can’t tell you why you should waste a leap of faith on the likes of me… but, damn, you smell good — like home. and you make excellent coffee. that’s got to count for something, right?
call me.
unfaithfully yours,
hank moody.”
“dear karen,
if you’re reading this, it means i actually worked up the courage to mail it. so, good for me. you don’t know me very well but you get me started, i have a tendency to go on and on about how hard the writing is for me. but this… this is the hardest thing i’ve ever had to write. there’s no easy way to say this, so i’ll just say it.
i met someone.
it was an accident. i wasn’t looking for it. it wasn’t on the make. it was a perfect storm. she said one thing. i said another. next thing i knew, i wanted to spend the rest of my life in the middle of that conversation. now there’s this feeling in my gut. she might be the one. she’s completely nuts… in a way that makes me smile — highly neurotic. a great deal of maintenance required.
she is you, karen.
that’s the good news. the bad is that i don’t know how to be with you right now. and it scares the shit out of me. because if i’m not with you right now, i have this feeling we’ll get lost out there. it’s a big, bad world full of twists and turns, and people have a way of blinking and missing the moment… the moment that could’ve changed everything.
i don’t know what’s going on with us, and i can’t tell you why you should waste a leap of faith on the likes of me… but, damn, you smell good — like home. and you make excellent coffee. that’s got to count for something, right?
call me.
unfaithfully yours,
hank moody.”
quinta-feira, março 26, 2009
A propósito do filme Amália que vi há dias e do qual falei aqui, decidi falar sobre algumas coisas. Amália foi provavelmente a nossa única diva. Pelo menos no que toca à música. Bonita, carismática, trágica, controversa. A sua vida foi um desfiar de momentos marcantes que a moldaram, que moldaram a sua música e que moldaram a música portuguesa do séc. XX. Mariza tem uma voz brutal, talvez mais impressionante que a de Amália. Mas tem uma alegria (indissociável da sua africanidade) que retira ao seu fado a mágoa e forla que só Amália lhe conferiu. Foram vários os mestres (compositores, autores, interprétes) de fado, mas só a grande diva trazia o fado dentro dela. As mortes, as traições, as tragédias, os desgostos são como notas do fado que foi a sua vida. E só essa vida foi retratável. Soube que alguma família e amigos não terão gostado da película. Não entendo porquê! Em nada Amália ou a família é insultada ou desrespeitada. Pelo menos comparando com qualquer outra família. E o que se ganha na descrição da sua vida é ímpar, único. Porque não foi perfeita. Errou. Muito e muitas vezes. São as vidas dos ímpios, dos pífios, dos canalhas que nos apaixonam. Ela teria sido mais feliz se a sua vida tivesse sido diferente. Mas não teria sido a fadista que foi e não nos teríamos apaixonado por aquela que foi a grande artista portuguesa do século passado...
segunda-feira, março 16, 2009
Ontem fui ver um concerto de Carlos do Carmo e a certa altura um momento arrepiante! José Carlos Ary dos Santos escreveu o poema, Fernando Tordo musicou e mestre Carlos canta. A maioria de vocês sabe que o meu coração está penhorado! Está guardado por uma bela menina. Para ela fica o texto de Ary misturado com um texto meu...
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Aventuras, paixões, amores... A vida trouxe-me tardes de belas mulheres, mas nunca a mais bela das tardes! Tive a certeza que eras a mulher da minha vida. Logo to disse porque a sinceridade do meu coração a minha boca não conseguia calar. Eras o alimento que o meu coração podia saciar...
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Em teus olhos me perdi, nos teus lábios me encontrei. Tinhas a doçura do cacau e a magia do continente mãe. Descobri que o Outono em Verão conseguias transformar. Eras a Deusa que nenhuma descrença podia abalar...
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Meu amor, nunca a expressão me pareceu tão certa! Foi nesse Jardim da Estrela que a mais linda Lua me deu o mais belo luar. Eras o tesouro que mais queria guardar...
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
A primeira vez que os nossos corpos se uniram, transformaram-se num só. Compreendemos que nos amávamos até no dormir. Eras a metade da minha laranja que nunca pensei existir...
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eis que os dias e as noites ganharam sentido. Como se só agora vivessemos e começassemos a amar. Eras o sopro da vida que contra tudo me permitia lutar...
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Mas eis que a distância me retira o sorriso. O meu coração chora por não te ver, não te sentir todos os dias. A certeza que tenho de que me fazes acreditar no amor, é a mesma certeza que a tua ausência me faz mal. Eras a certeza incerta de que nas mãos do destino sou um comum mortal...
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Não sei se as minhas palavras são de mel ou fel. Se soam a céu ou inferno. Sei que és quem habita o meu pensamento desde que te vi surgir. És a razão para que o meu coração tenha vontade de sorrir...
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.
Mas não duvides nunca que se me quiseres como te quero, o nosso partilhado caminho será como espero...
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Aventuras, paixões, amores... A vida trouxe-me tardes de belas mulheres, mas nunca a mais bela das tardes! Tive a certeza que eras a mulher da minha vida. Logo to disse porque a sinceridade do meu coração a minha boca não conseguia calar. Eras o alimento que o meu coração podia saciar...
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Em teus olhos me perdi, nos teus lábios me encontrei. Tinhas a doçura do cacau e a magia do continente mãe. Descobri que o Outono em Verão conseguias transformar. Eras a Deusa que nenhuma descrença podia abalar...
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Meu amor, nunca a expressão me pareceu tão certa! Foi nesse Jardim da Estrela que a mais linda Lua me deu o mais belo luar. Eras o tesouro que mais queria guardar...
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
A primeira vez que os nossos corpos se uniram, transformaram-se num só. Compreendemos que nos amávamos até no dormir. Eras a metade da minha laranja que nunca pensei existir...
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eis que os dias e as noites ganharam sentido. Como se só agora vivessemos e começassemos a amar. Eras o sopro da vida que contra tudo me permitia lutar...
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Mas eis que a distância me retira o sorriso. O meu coração chora por não te ver, não te sentir todos os dias. A certeza que tenho de que me fazes acreditar no amor, é a mesma certeza que a tua ausência me faz mal. Eras a certeza incerta de que nas mãos do destino sou um comum mortal...
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Não sei se as minhas palavras são de mel ou fel. Se soam a céu ou inferno. Sei que és quem habita o meu pensamento desde que te vi surgir. És a razão para que o meu coração tenha vontade de sorrir...
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.
Mas não duvides nunca que se me quiseres como te quero, o nosso partilhado caminho será como espero...
sexta-feira, março 13, 2009
Esta bela menina decidiu dar-me este prémio! Como todos os prémios que este blog recebeu, agradeço-o imenso e dedico-o a todos os que vêem até aqui e lêem aquilo que escrevo...
quarta-feira, março 11, 2009
terça-feira, março 10, 2009
Nunca escondi que adoro calor! Mas também sempre disse que a minha estação favorita é o Outono. Luís Fernando Veríssimo não concorda comigo no primeiro aspecto mas no segundo sim. Aqui fica o texto dele no Expresso de Sábado..
O Outono é a única estação civilizada. A Primavera é um descontrole glandular da Natureza. O Inverno é o preço que a gente paga para ter o Outono, e por isso está perdoado. O Verão é uma indignidade.
Eu deveria ser um par de garras serrilhadas escapulindo pelo chão de mares silenciosos, ou pelo menos um falso inglês como o Eliot. Clássicos ao pé do fogo, um vago cachorro e sherry seco contra o catarro. Um gentleman não deve suar, meu caro. As frutas têm suco, não um inglês.
Nas colónias, os nativos suavam por nós, e... É sempre assim. Quando chega o Verão começo a me imaginar em Londres, estocando meus tintos para o Inverno. Mas é claro que não aguentaria duas semanas como inglês sem começar a maldizer a humidade e a sonhar com o sol.
Mas não sou uma pessoa tropical. A minha terra preferida é o Outono em qualquer lugar. No Outono, as coisas se abrandam e absorvem a luz em vez de reflecti-la. É como se a Natureza, etc. (O Verão não é uma boa estação para literatura descritiva. Me peça o resto da frase no Outono.)
Sempre digo que a praia seria um lugar óptimo se não fossem a areia, o sol e a água fria. É só uma frase. Gosto do mar. O diabo é que a gente sempre tem na cabeça um banho de mar perfeito que nunca se repete. O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul, em algum ano da década de 50. Sim, crianças, em 50 já existiam Torres, o oceano Atlântico e este cronista, todos bem mais jovens. O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve. Via-se o fundo? Via-se o fundo.
Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço, e como eram jovens os nossos pés. Havia algas no mar? Iodo, mães-d'água, siris, dejectos, náufragos, sereias? Não, a água estava límpida como nunca mais esteve. Os únicos objectos estranhos no mar eram os nossos pés, e como isso faz tempo. Até que horas ficámos na água? Alguns anoiteceram dentro de água e estariam lá até agora se não tivessem que voltar para a cidade, para se formar, fazer carreira, casar, envelhecer, essas coisas.
Como o cronista explica sua aversão ao Verão depois de tais lembranças? É que eu não gostava do Verão. Gostava de ser mais moço.
O Outono é a única estação civilizada. A Primavera é um descontrole glandular da Natureza. O Inverno é o preço que a gente paga para ter o Outono, e por isso está perdoado. O Verão é uma indignidade.
Eu deveria ser um par de garras serrilhadas escapulindo pelo chão de mares silenciosos, ou pelo menos um falso inglês como o Eliot. Clássicos ao pé do fogo, um vago cachorro e sherry seco contra o catarro. Um gentleman não deve suar, meu caro. As frutas têm suco, não um inglês.
Nas colónias, os nativos suavam por nós, e... É sempre assim. Quando chega o Verão começo a me imaginar em Londres, estocando meus tintos para o Inverno. Mas é claro que não aguentaria duas semanas como inglês sem começar a maldizer a humidade e a sonhar com o sol.
Mas não sou uma pessoa tropical. A minha terra preferida é o Outono em qualquer lugar. No Outono, as coisas se abrandam e absorvem a luz em vez de reflecti-la. É como se a Natureza, etc. (O Verão não é uma boa estação para literatura descritiva. Me peça o resto da frase no Outono.)
Sempre digo que a praia seria um lugar óptimo se não fossem a areia, o sol e a água fria. É só uma frase. Gosto do mar. O diabo é que a gente sempre tem na cabeça um banho de mar perfeito que nunca se repete. O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul, em algum ano da década de 50. Sim, crianças, em 50 já existiam Torres, o oceano Atlântico e este cronista, todos bem mais jovens. O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve. Via-se o fundo? Via-se o fundo.
Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço, e como eram jovens os nossos pés. Havia algas no mar? Iodo, mães-d'água, siris, dejectos, náufragos, sereias? Não, a água estava límpida como nunca mais esteve. Os únicos objectos estranhos no mar eram os nossos pés, e como isso faz tempo. Até que horas ficámos na água? Alguns anoiteceram dentro de água e estariam lá até agora se não tivessem que voltar para a cidade, para se formar, fazer carreira, casar, envelhecer, essas coisas.
Como o cronista explica sua aversão ao Verão depois de tais lembranças? É que eu não gostava do Verão. Gostava de ser mais moço.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Um dos meus melhores amigos, irmão que não tive, escreveu um texto de raiva e pediu-me para publicá-lo se tivesse qualidade. Qualidade?? Toda! Porque é escrito com as emoções à flor da pele...
São Canibais d’Almas...
O sangue que corre nas ruas já cobre a pedra mais alta da calçada. Estamos no meio duma guerra social pautada pela ausência de valores. Acredito com toda a certeza que a arma deve ser a ultima ferramenta usada para resolver um conflito, e é com a mesma certeza que digo estar na altura de apontar canhões ao inimigo. Para tudo há um limite, e o meu é o ponto de ebulição da alma. Inchado de vapores, aponto arsenal a um inimigo que é meu semelhante, e frequentemente falso amigo. São pessoas, enfermas de valores ou até mesmo privadas dos mesmos, não sabem o que querem ou sequer o que fazem. São casais que se separam depois duma vida conjunta, namorados que se traem, pessoas famintas de sexo sem compromisso que se comprometem alimentando falsas paixões com múltiplos parceiros. É contra estes Canibais d’Almas que se deliciam de banquete em banquete, pejando as ruas de sangue sangrado por almas débeis e por vezes inocentes que me revolto. Parem para pensar e compreendam que do outro lado estão pessoas que respiram, sentem, e sangram como todas as demais. Ganhem espinha, e respeito pelo semelhante. Lembrem-se da Roma entregue ás putas e ébrios que culminou na queda dum império. Será pura coincidência as semelhanças com os tempos de crise que passamos?! Perdoe quem lê, o meu português rude, mas nesta guerra ganha quem mais fode. Pois que fodam, mas que se fodam sozinhos ou uns aos outros. Poupem os poucos que ainda sabem o que é viver em comunidade e que valorizam a confiança no próximo.
Atenta canibal incauto, que também tu podes ser comido sem contemplação. E mais não digo.
Gonçalo Gomes
São Canibais d’Almas...
O sangue que corre nas ruas já cobre a pedra mais alta da calçada. Estamos no meio duma guerra social pautada pela ausência de valores. Acredito com toda a certeza que a arma deve ser a ultima ferramenta usada para resolver um conflito, e é com a mesma certeza que digo estar na altura de apontar canhões ao inimigo. Para tudo há um limite, e o meu é o ponto de ebulição da alma. Inchado de vapores, aponto arsenal a um inimigo que é meu semelhante, e frequentemente falso amigo. São pessoas, enfermas de valores ou até mesmo privadas dos mesmos, não sabem o que querem ou sequer o que fazem. São casais que se separam depois duma vida conjunta, namorados que se traem, pessoas famintas de sexo sem compromisso que se comprometem alimentando falsas paixões com múltiplos parceiros. É contra estes Canibais d’Almas que se deliciam de banquete em banquete, pejando as ruas de sangue sangrado por almas débeis e por vezes inocentes que me revolto. Parem para pensar e compreendam que do outro lado estão pessoas que respiram, sentem, e sangram como todas as demais. Ganhem espinha, e respeito pelo semelhante. Lembrem-se da Roma entregue ás putas e ébrios que culminou na queda dum império. Será pura coincidência as semelhanças com os tempos de crise que passamos?! Perdoe quem lê, o meu português rude, mas nesta guerra ganha quem mais fode. Pois que fodam, mas que se fodam sozinhos ou uns aos outros. Poupem os poucos que ainda sabem o que é viver em comunidade e que valorizam a confiança no próximo.
Atenta canibal incauto, que também tu podes ser comido sem contemplação. E mais não digo.
Gonçalo Gomes
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Uma música fantástica...
Fui até tua casa. Subi as escadas. Abri a tua porta sem tocar à campainha. Caminhei pelo hall. Até ao teu quarto. Onde te podia cheirar. Não deveria estar lá. Sem a tua permissão. Não deveria estar lá.
Perdoas-me meu amor, se dancei no teu chuveiro? Perdoas-me meu amor, se me deitei na tua cama? Perdoas-me meu amor, se eu ficar toda a tarde?
Tirei as minhas roupas. Pus o teu robe. Percorri as tuas gavetas. E encontrei o teu perfume. Fui até ao teu cantinho. Encontrei os teus cds. E pus a tocar o Joni. Não me devo demorar. Podes estar a chegar a casa. Não me devo demorar.
Perdoas-me meu amor, se dancei no teu chuveiro? Perdoas-me meu amor, se me deitei na tua cama? Perdoas-me meu amor, se eu ficar toda a tarde?
Queimei o teu incenso. Pus a água do banho a correr. Reparei numa carta na tua secretária. Diz "Olá amor, amo-te muito amor, anda ter comigo à meia noite". Não, não era a minha letra. É melhor ir-me embora já. Não era a minha letra.
Perdoa-me meu amor, se chorei no teu chuveiro. Perdoa-me meu amor, pelo sal na tua cama. Perdoa-me meu amor, se chorei a tarde toda.
Fui até tua casa. Subi as escadas. Abri a tua porta sem tocar à campainha. Caminhei pelo hall. Até ao teu quarto. Onde te podia cheirar. Não deveria estar lá. Sem a tua permissão. Não deveria estar lá.
Perdoas-me meu amor, se dancei no teu chuveiro? Perdoas-me meu amor, se me deitei na tua cama? Perdoas-me meu amor, se eu ficar toda a tarde?
Tirei as minhas roupas. Pus o teu robe. Percorri as tuas gavetas. E encontrei o teu perfume. Fui até ao teu cantinho. Encontrei os teus cds. E pus a tocar o Joni. Não me devo demorar. Podes estar a chegar a casa. Não me devo demorar.
Perdoas-me meu amor, se dancei no teu chuveiro? Perdoas-me meu amor, se me deitei na tua cama? Perdoas-me meu amor, se eu ficar toda a tarde?
Queimei o teu incenso. Pus a água do banho a correr. Reparei numa carta na tua secretária. Diz "Olá amor, amo-te muito amor, anda ter comigo à meia noite". Não, não era a minha letra. É melhor ir-me embora já. Não era a minha letra.
Perdoa-me meu amor, se chorei no teu chuveiro. Perdoa-me meu amor, pelo sal na tua cama. Perdoa-me meu amor, se chorei a tarde toda.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Algumas pessoas tem dito que tem saudades dos meus textos. Eu também tenho saudades de escrever, mas quando eu leio pessoas que escrevem melhor que eu, o melhor é transcrever e saborear. José Manuel dos Santos na UNICA...
Desemprego
A casa está deserta. Nela, só ele e o som muito baixo da sua respiração. Acordou cedo, à hora do costume, mas, como agora não tem para onde ir, deixa-se ficar na cama. Fecha os olhos. Tenta adormecer de novo. Não consegue. Tenta outra vez. Continua a não conseguir. Estica o corpo entre os lençóis, muda de posição, volta a enrolar-se sobre si, mas o sono não chega. Enerva-se com isso e enerva-se ainda mais com o nervosismo que isso lhe causa.
Respira fundo. Espera o sono. Deixa-se estar naquele intervalo entre a inconsciência e a consciência dela. De repente, parece que vai adormecer, mas o corpo insubordina-se, não acompanha o seu desejo, não obedece à sua vontade. Dizem que o sono em que se cai é um abismo a que se desce, fundo e negro. Neste caso, o abismo está ao contrário: é não conseguir descê-lo até ao fim, é ser forçado a subir nele, é ser empurrado para cima, até à claridade dura da vigília. Continua a esperar o sono. Tem uma perna e um braço dormentes. Procura outra posição. Faz um esforço para não pensar naquilo em que não consegue deixar de pensar. Está a pensar naquilo em que não consegue deixar de pensar. O seu pensamento é um texto com uma sintaxe adversa, em que as palavras estão fora do lugar, paralisando-se umas às outras, atropelando-se, devorando-se, tornando-se a mesma, num eco inextinguível. Texto sujeito a uma pontuação opressiva, que se não deixa dominar, que aparece quando se não quer. O seu pensamento é um texto escrito por um computador selvagem que escreve ao mesmo tempo que ele, por cima da sua escrita, contra a sua escrita.
O sono não vem. Irritado, dá voltas na cama. Volta a dar voltas na cama. Está cansado. Há meses que está cansado. Agora, que tem todo o tempo para descansar, não consegue descansar. Deita-se cansado, levanta-se cansado. Faz perguntas ao corpo e o corpo não responde. Dá-lhe ordens e ele não obedece. Foge-lhe para escapar à sua tristeza, ao seu tédio, ao seu torpor: ausenta-se, nega-se a ser corpo, revolta-se. Está cansado. Dá voltas, continua a dar voltas.
Procura um pensamento mais forte que o desvie daquele que o persegue, que o ataca, que o submete. Imagina um corpo que seja o destino do seu corpo. A mão desce do peito para a barriga, da barriga para o sexo. Pára aí. Mexe aí. Pressão da pele contra a pele, como se a mão estivesse sobre um sexo que não fosse dele. Ou como se o sexo fosse dele e a mão fosse de outra pessoa. Agita a mão: lentamente; depois, rapidamente. Não consegue. Falha. Volta a tentar: rapidamente; depois, lentamente. Procura um ponto, na linha do passado, que lhe aumente o desejo. Fixa-o. A memória do seu corpo torna esse ponto nítido. Corre até ele.
Recupera as imagens e os sons. Revive os movimentos, as paragens. Retém os silêncios, os murmúrios. Lembra a aproximação, o enlace, a permanência, o desenlace. Recorda o princípio e o fim. Agita a mão de novo, velozmente. Parece que está a conseguir. Mas há qualquer coisa que se nega. Há qualquer coisa que se sobrepõe. Fica inquieto, perturbado, assustado, ansioso. Desiste. Tem vergonha. Afasta-se do seu corpo, retribuindo-lhe a distância a que ele o pôs: repudia-o, falha-o. Põe as mãos espalmadas sobre o lençol.
Volta a tentar dormir. Insiste. Não consegue. Agita-se, dá voltas na cama. Dói-lhe tudo, está exausto, cansado do cansaço. Não quer abrir os olhos. Pensa no ontem, pensa no amanhã, mas não consegue sair do hoje. Como se, em vez de andar, marcasse passo: cansado de andar sem andar, fatigado de estar no mesmo lugar, cansado de parar sem parar. Sente que os olhos humedecem. Tem vergonha da sua inutilidade, da sua humilhação, da sua impotência. Procura no sono um esconderijo. Não consegue dormir. Dói-lhe tudo, de uma dor inteira e dividida, interior e exterior, côncava e convexa. Abre os olhos. Olha o tecto.
Num salto, levanta-se da cama. O quarto está frio e ele arrepia-se. Veste uma camisola. Dirige-se à casa de banho. Olha a sua cara no espelho. Vê a barba grisalha, suja, ainda mais grisalha e mais suja do que o cabelo. Deixou de fazer a barba. Sabe que hoje, amanhã, depois de amanhã, também a não fará. Desvia o olhar de si, da sua desistência, do seu fracasso. Dá meia-volta, vira as costas ao espelho. Aponta o sexo cansado à sanita e mija, mija muito. Ouve o som do mijo. Ouve-o - ele é o único som propício nestes dias.
Desemprego
A casa está deserta. Nela, só ele e o som muito baixo da sua respiração. Acordou cedo, à hora do costume, mas, como agora não tem para onde ir, deixa-se ficar na cama. Fecha os olhos. Tenta adormecer de novo. Não consegue. Tenta outra vez. Continua a não conseguir. Estica o corpo entre os lençóis, muda de posição, volta a enrolar-se sobre si, mas o sono não chega. Enerva-se com isso e enerva-se ainda mais com o nervosismo que isso lhe causa.
Respira fundo. Espera o sono. Deixa-se estar naquele intervalo entre a inconsciência e a consciência dela. De repente, parece que vai adormecer, mas o corpo insubordina-se, não acompanha o seu desejo, não obedece à sua vontade. Dizem que o sono em que se cai é um abismo a que se desce, fundo e negro. Neste caso, o abismo está ao contrário: é não conseguir descê-lo até ao fim, é ser forçado a subir nele, é ser empurrado para cima, até à claridade dura da vigília. Continua a esperar o sono. Tem uma perna e um braço dormentes. Procura outra posição. Faz um esforço para não pensar naquilo em que não consegue deixar de pensar. Está a pensar naquilo em que não consegue deixar de pensar. O seu pensamento é um texto com uma sintaxe adversa, em que as palavras estão fora do lugar, paralisando-se umas às outras, atropelando-se, devorando-se, tornando-se a mesma, num eco inextinguível. Texto sujeito a uma pontuação opressiva, que se não deixa dominar, que aparece quando se não quer. O seu pensamento é um texto escrito por um computador selvagem que escreve ao mesmo tempo que ele, por cima da sua escrita, contra a sua escrita.
O sono não vem. Irritado, dá voltas na cama. Volta a dar voltas na cama. Está cansado. Há meses que está cansado. Agora, que tem todo o tempo para descansar, não consegue descansar. Deita-se cansado, levanta-se cansado. Faz perguntas ao corpo e o corpo não responde. Dá-lhe ordens e ele não obedece. Foge-lhe para escapar à sua tristeza, ao seu tédio, ao seu torpor: ausenta-se, nega-se a ser corpo, revolta-se. Está cansado. Dá voltas, continua a dar voltas.
Procura um pensamento mais forte que o desvie daquele que o persegue, que o ataca, que o submete. Imagina um corpo que seja o destino do seu corpo. A mão desce do peito para a barriga, da barriga para o sexo. Pára aí. Mexe aí. Pressão da pele contra a pele, como se a mão estivesse sobre um sexo que não fosse dele. Ou como se o sexo fosse dele e a mão fosse de outra pessoa. Agita a mão: lentamente; depois, rapidamente. Não consegue. Falha. Volta a tentar: rapidamente; depois, lentamente. Procura um ponto, na linha do passado, que lhe aumente o desejo. Fixa-o. A memória do seu corpo torna esse ponto nítido. Corre até ele.
Recupera as imagens e os sons. Revive os movimentos, as paragens. Retém os silêncios, os murmúrios. Lembra a aproximação, o enlace, a permanência, o desenlace. Recorda o princípio e o fim. Agita a mão de novo, velozmente. Parece que está a conseguir. Mas há qualquer coisa que se nega. Há qualquer coisa que se sobrepõe. Fica inquieto, perturbado, assustado, ansioso. Desiste. Tem vergonha. Afasta-se do seu corpo, retribuindo-lhe a distância a que ele o pôs: repudia-o, falha-o. Põe as mãos espalmadas sobre o lençol.
Volta a tentar dormir. Insiste. Não consegue. Agita-se, dá voltas na cama. Dói-lhe tudo, está exausto, cansado do cansaço. Não quer abrir os olhos. Pensa no ontem, pensa no amanhã, mas não consegue sair do hoje. Como se, em vez de andar, marcasse passo: cansado de andar sem andar, fatigado de estar no mesmo lugar, cansado de parar sem parar. Sente que os olhos humedecem. Tem vergonha da sua inutilidade, da sua humilhação, da sua impotência. Procura no sono um esconderijo. Não consegue dormir. Dói-lhe tudo, de uma dor inteira e dividida, interior e exterior, côncava e convexa. Abre os olhos. Olha o tecto.
Num salto, levanta-se da cama. O quarto está frio e ele arrepia-se. Veste uma camisola. Dirige-se à casa de banho. Olha a sua cara no espelho. Vê a barba grisalha, suja, ainda mais grisalha e mais suja do que o cabelo. Deixou de fazer a barba. Sabe que hoje, amanhã, depois de amanhã, também a não fará. Desvia o olhar de si, da sua desistência, do seu fracasso. Dá meia-volta, vira as costas ao espelho. Aponta o sexo cansado à sanita e mija, mija muito. Ouve o som do mijo. Ouve-o - ele é o único som propício nestes dias.
terça-feira, fevereiro 17, 2009
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
A.S.- Sei que vai parecer um ataque às mulheres, mas subentende-se uma crítica aos homens...
Peço desculpa mas ou as mulheres estão mais burras ou os homens mais espertos. Tenho anos de observação do mundo das relações humanas. Lembro-me que eram os homens que corriam atrás das mulheres. Agora não sei se é por haver menos elementos do sexo masculino, ou pelo menos espécimes apetecíveis, sei que as mulheres se andam a prestas a papéis muito maus. Não estou a falar de viver a vida e ter relações triviais. Isso não define nem denigre ninguém. O problema é correrem atrás de homens que não as tratam bem. Sabe-se que as mulheres sempre tiveram tendência para o masoquismo na hora de escolher o homem a amar, o problema agora é mais grave porque cumprem esse papel com os amigos coloridos. À conversa com dois amigos fico cada vez mais estupefacto e, devo dizer, desiludido com as mulheres. Eles são atraentes e isso parece bastar. Não precisam de falar para terem as meninas a vir ter com eles. Ainda sou do tempo que nas discotecas só os homens com aspecto, charme e lábia conseguiam meter conversa com as meninas. Agora não! Eles dão-se ao luxo de estar com duas mulheres num bar, ir ter com outras para ficarem com o número, voltar às primeiras, engatar outras de passagem, ficar com o número delas e sair do com as que chegaram. E as mulheres prestam-se a isso! E como são homens, as mulheres não precisam de falar muito para lhes captar a atenção. São catalogadas à partida como boas ou fracas. E o resultado é que já nem é preciso conversa ou palavras. Bem, talvez aqueles momentos em que eles dizem a elas que não estão para namoros ou compromissos. Elas ficam tristes e..voltam na mesma! Dizem que não se importam mesmo que estejam a morrer por dentro. As mulheres! O mais belo ser da Natureza é desprezado pelos homens e eles ainda ficam por cima. O mundo anda ao contrário e cada vez mais penso que estou bem é assim...
Peço desculpa mas ou as mulheres estão mais burras ou os homens mais espertos. Tenho anos de observação do mundo das relações humanas. Lembro-me que eram os homens que corriam atrás das mulheres. Agora não sei se é por haver menos elementos do sexo masculino, ou pelo menos espécimes apetecíveis, sei que as mulheres se andam a prestas a papéis muito maus. Não estou a falar de viver a vida e ter relações triviais. Isso não define nem denigre ninguém. O problema é correrem atrás de homens que não as tratam bem. Sabe-se que as mulheres sempre tiveram tendência para o masoquismo na hora de escolher o homem a amar, o problema agora é mais grave porque cumprem esse papel com os amigos coloridos. À conversa com dois amigos fico cada vez mais estupefacto e, devo dizer, desiludido com as mulheres. Eles são atraentes e isso parece bastar. Não precisam de falar para terem as meninas a vir ter com eles. Ainda sou do tempo que nas discotecas só os homens com aspecto, charme e lábia conseguiam meter conversa com as meninas. Agora não! Eles dão-se ao luxo de estar com duas mulheres num bar, ir ter com outras para ficarem com o número, voltar às primeiras, engatar outras de passagem, ficar com o número delas e sair do com as que chegaram. E as mulheres prestam-se a isso! E como são homens, as mulheres não precisam de falar muito para lhes captar a atenção. São catalogadas à partida como boas ou fracas. E o resultado é que já nem é preciso conversa ou palavras. Bem, talvez aqueles momentos em que eles dizem a elas que não estão para namoros ou compromissos. Elas ficam tristes e..voltam na mesma! Dizem que não se importam mesmo que estejam a morrer por dentro. As mulheres! O mais belo ser da Natureza é desprezado pelos homens e eles ainda ficam por cima. O mundo anda ao contrário e cada vez mais penso que estou bem é assim...
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Leio a entrevista a Paula Lee, acompanhante de luxo, e não consigo entender. Talvez porque nunca tenha pago, talvez porque nunca tenha tido falta. Ela diz que a concorrência é feroz e que o seu melhor cliente pagou 2500 euros por uma noite! Sinceramente acho que é mais uma sensação de poder por parte deles do que outra coisa qualquer. Bem, valha-nos que esta menina brasileira gosta de Henry Miller e Gabriel Garcia Marquez. Ao menos acultura-se...
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Por vezes deve-se fazer Pause, outras Play, outras Fast Forward e outras Rewind.. Paolo Nutini, minhas amigas e amigos...
Pickin up the pieces
Of the wreck you went and left
And i'm dealing with dilemmas
In my not-so-stressful life
And i'm drinking stronger spirits
I made my home here on the floor
And i'm losing all ambition
I'm a ghost
And i'm going all out
And i'm thinking you're just as bad
No sleeping at night
But i'm going from bar to bar
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Oh remember at 16
Oh the crazy drunken night we had
When i kissed you in the hallway
Then i took you straight to bed
Well 2 years on
And i'm still that same boy i was
No sleeping at night
But i'm going from bar to bar
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind oh
No sleeping at night
But i'm going from bar to bar
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind oh
You might blame it on me
But you persisted that we fold
Wiped your hands of me
And said you needed more, more, more
And i'm not sleeping at night
But i'm going from bar to bar
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind oh
And i'm not sleeping at night
But i'm going from bar to bar
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind oh
Wo woah woah woah
Wo woah woah woah
Wo wo woah
Can't we just rewind
Pickin up the pieces
Of the wreck you went and left
And i'm dealing with dilemmas
In my not-so-stressful life
And i'm drinking stronger spirits
I made my home here on the floor
And i'm losing all ambition
I'm a ghost
And i'm going all out
And i'm thinking you're just as bad
No sleeping at night
But i'm going from bar to bar
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Oh remember at 16
Oh the crazy drunken night we had
When i kissed you in the hallway
Then i took you straight to bed
Well 2 years on
And i'm still that same boy i was
No sleeping at night
But i'm going from bar to bar
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind oh
No sleeping at night
But i'm going from bar to bar
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind oh
You might blame it on me
But you persisted that we fold
Wiped your hands of me
And said you needed more, more, more
And i'm not sleeping at night
But i'm going from bar to bar
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind oh
And i'm not sleeping at night
But i'm going from bar to bar
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind
Why can't we just rewind oh
Wo woah woah woah
Wo woah woah woah
Wo wo woah
Can't we just rewind
sábado, janeiro 10, 2009
Num novo ano não há nada como um texto sobre começar de José Manuel dos Santos, no Expresso.
"Já não temos começos, diz George Steiner ouvindo os vários sons do fim que formam hoje a voz mais alta da nossa cultura. Há um ar saturado de cansaços, esgotamentos, abolições e estertores. Tudo é tarde. Mas, entre tantos ocasos, decadências, decomposições, desistências e derrotas, o tempo persiste e o Novo Ano começa. O seu começo é como a grande capitular que agiganta o J inicial desta crónica, tornando-o uma sombra que a ilumina. Numa hora em que o desespero diz à esperança para recuar, negando-lhe o rosto e parando-lhe o passo, a memória e a observação ensinam-nos que, a seguir a um crepúsculo que anoitece, vem um crepúsculo que amanhece.
Sabemos que estamos num fim e, por isso, procuramos tanto os começos: do universo, da vida, da mente, da cultura, da história, da sociedade, da linguagem. Esta consciência do fim não é nova, embora a sua forma e o seu favor o sejam. Muitas das grandes obras do Ocidente fizeram do fim a água de Narciso onde reflectem a sua face de exaustão ou de êxtase. Das tragédias gregas ("Este é o fim onde esta acção acaba", Medeia, Eurípedes) a Shakespeare ("O tempo tornou-me um minucioso relógio/ e minutos são todos os meus pensamentos", Ricardo II), de Kafka ("A esperança é abundante, mas não é para nós") a Eliot ("No meu princípio está o meu fim. Sucessivamente/ Casas elevam-se e caem"), o fim como destino, escolha, ameaça, sentença, prenúncio, medo, esperança ou experiência esteve sempre presente no seu clímax queimado. Mas essa presença nunca anulou o grande prestígio do começo. Platão afirma que a origem é a nobreza maior de tudo o que é natural e humano. E, na Bíblia, do primeiro ao último livro, tudo é começo. A sua primeira palavra, a do "Livro do Génesis", é a do começo: "No princípio, quando Deus criou o Céu e a Terra." E uma das suas mais altas, a do "Evangelho de São João", é-o também: "No princípio, era o Verbo." Mas mesmo o "Apocalipse", que diz o fim do tempo, dá as suas últimas palavras a uma vinda, a um recomeço.
Às vezes, gosto de dividir os poetas ente os do começo e os do fim. Sophia e Cesariny são poetas do começo. Sophia declara: "Eu falo da primeira liberdade/ Do primeiro dia que era mar e luz." Ou canta: "Eras o primeiro dia inteiro e puro/ Banhando os horizontes de louvor." E a Revolução do 25 de Abril, no poema com que a celebra, é um começo que se segue a um fim, um amanhecer que sucede a uma noite: "Esta é a madrugada que eu esperava/ O dia inicial inteiro e limpo/ Onde emergimos da noite e do silêncio/ E livres habitamos a substância do tempo." Cesariny afirma num poema-colagem de um único grande verso: "Ama como a estrada começa." E tudo parece dito.
Pessanha e Pessoa são poetas do fim. Diz Pessanha: "Desce por fim sobre o meu coração/ O olvido. Irrevocável. Absoluto./ Envolve-o grave como véu de luto./ Podes, corpo, ir dormir no teu caixão./ A fronte já sem rugas, distendidas/ As feições, na imortal serenidade,/ Dorme enfim sem desejo e sem saudade/ Das coisas não logradas ou perdidas." Ou: "Cessar... não mais te ver/ Como uma luz se apaga..." Em Pessoa, "Tudo é incerto e derradeiro./ Tudo é disperso, nada é inteiro" e "...já a primeira pancada/ tem o som de repetida".
Outros há que começam a acabar e acabam a começar. Almada Negreiros começou a gritar "Morra o Dantas, morra!" e acabou a inscrever a palavra COMEÇAR na pedra de um painel. Na demanda que fez da relação nove/dez, do "ponto da Bauhutte" e do cânone, procurava a reversibilidade do passado e do futuro. Almada é o funâmbulo que está sobre o arame a olhar o tempo - às vezes, de cabeça para baixo.
O ano começa e sabemos que este começo é o de uma viagem pelos mares da tormenta. Assim, só resta dar a esta expedição que nos leva um movimento de procura - aquela que descobre, no fim, o depois de um novo começo, que um dia será um novo fim, que outro dia será um novo começo. Da grande amurada do mundo, desenrolemos a corda que une os dois crepúsculos, o que anoitece e o que amanhece, e façamos, nietzscheanamente, do nosso andar sobre ela e sobre o seu abismo a audácia que dança.
O ocaso de um ano é o alvorecer de um outro, naquele ponto da linha da noite em que o fim e o início coincidem. Será esta hora a vigésima quinta, ou já é a primeira?"
"Já não temos começos, diz George Steiner ouvindo os vários sons do fim que formam hoje a voz mais alta da nossa cultura. Há um ar saturado de cansaços, esgotamentos, abolições e estertores. Tudo é tarde. Mas, entre tantos ocasos, decadências, decomposições, desistências e derrotas, o tempo persiste e o Novo Ano começa. O seu começo é como a grande capitular que agiganta o J inicial desta crónica, tornando-o uma sombra que a ilumina. Numa hora em que o desespero diz à esperança para recuar, negando-lhe o rosto e parando-lhe o passo, a memória e a observação ensinam-nos que, a seguir a um crepúsculo que anoitece, vem um crepúsculo que amanhece.
Sabemos que estamos num fim e, por isso, procuramos tanto os começos: do universo, da vida, da mente, da cultura, da história, da sociedade, da linguagem. Esta consciência do fim não é nova, embora a sua forma e o seu favor o sejam. Muitas das grandes obras do Ocidente fizeram do fim a água de Narciso onde reflectem a sua face de exaustão ou de êxtase. Das tragédias gregas ("Este é o fim onde esta acção acaba", Medeia, Eurípedes) a Shakespeare ("O tempo tornou-me um minucioso relógio/ e minutos são todos os meus pensamentos", Ricardo II), de Kafka ("A esperança é abundante, mas não é para nós") a Eliot ("No meu princípio está o meu fim. Sucessivamente/ Casas elevam-se e caem"), o fim como destino, escolha, ameaça, sentença, prenúncio, medo, esperança ou experiência esteve sempre presente no seu clímax queimado. Mas essa presença nunca anulou o grande prestígio do começo. Platão afirma que a origem é a nobreza maior de tudo o que é natural e humano. E, na Bíblia, do primeiro ao último livro, tudo é começo. A sua primeira palavra, a do "Livro do Génesis", é a do começo: "No princípio, quando Deus criou o Céu e a Terra." E uma das suas mais altas, a do "Evangelho de São João", é-o também: "No princípio, era o Verbo." Mas mesmo o "Apocalipse", que diz o fim do tempo, dá as suas últimas palavras a uma vinda, a um recomeço.
Às vezes, gosto de dividir os poetas ente os do começo e os do fim. Sophia e Cesariny são poetas do começo. Sophia declara: "Eu falo da primeira liberdade/ Do primeiro dia que era mar e luz." Ou canta: "Eras o primeiro dia inteiro e puro/ Banhando os horizontes de louvor." E a Revolução do 25 de Abril, no poema com que a celebra, é um começo que se segue a um fim, um amanhecer que sucede a uma noite: "Esta é a madrugada que eu esperava/ O dia inicial inteiro e limpo/ Onde emergimos da noite e do silêncio/ E livres habitamos a substância do tempo." Cesariny afirma num poema-colagem de um único grande verso: "Ama como a estrada começa." E tudo parece dito.
Pessanha e Pessoa são poetas do fim. Diz Pessanha: "Desce por fim sobre o meu coração/ O olvido. Irrevocável. Absoluto./ Envolve-o grave como véu de luto./ Podes, corpo, ir dormir no teu caixão./ A fronte já sem rugas, distendidas/ As feições, na imortal serenidade,/ Dorme enfim sem desejo e sem saudade/ Das coisas não logradas ou perdidas." Ou: "Cessar... não mais te ver/ Como uma luz se apaga..." Em Pessoa, "Tudo é incerto e derradeiro./ Tudo é disperso, nada é inteiro" e "...já a primeira pancada/ tem o som de repetida".
Outros há que começam a acabar e acabam a começar. Almada Negreiros começou a gritar "Morra o Dantas, morra!" e acabou a inscrever a palavra COMEÇAR na pedra de um painel. Na demanda que fez da relação nove/dez, do "ponto da Bauhutte" e do cânone, procurava a reversibilidade do passado e do futuro. Almada é o funâmbulo que está sobre o arame a olhar o tempo - às vezes, de cabeça para baixo.
O ano começa e sabemos que este começo é o de uma viagem pelos mares da tormenta. Assim, só resta dar a esta expedição que nos leva um movimento de procura - aquela que descobre, no fim, o depois de um novo começo, que um dia será um novo fim, que outro dia será um novo começo. Da grande amurada do mundo, desenrolemos a corda que une os dois crepúsculos, o que anoitece e o que amanhece, e façamos, nietzscheanamente, do nosso andar sobre ela e sobre o seu abismo a audácia que dança.
O ocaso de um ano é o alvorecer de um outro, naquele ponto da linha da noite em que o fim e o início coincidem. Será esta hora a vigésima quinta, ou já é a primeira?"
quarta-feira, dezembro 31, 2008
quarta-feira, dezembro 24, 2008
sábado, dezembro 20, 2008
Nos meus blogs já expressei a minha admiração pelo cronista José Manuel dos Santos! Na crónica de Sábado passado, ele falou do Porto. Não sou portuense de gema mas vivi lá e sempre tive um fraquinho por esta cidade. E não me podia identificar mais com esta crónica de um forasteiro...
Mais do que a de outras terras, a gente do Porto sabe fazer das fraquezas forças. Por isso, muitas vezes fala no tom dos que não perdem tempo com o que não lhes dá meios para vencer o infortúnio. Há nesse acento áspero uma franqueza parecida com uma altivez natural - a que se exerce sobre o mundo e não sobre os outros. Agustina e Manoel de Oliveira ("longos dias têm cem anos!") chegaram, por caminhos diferentes, ao centro desta filosofia de vida (também é uma psicologia e uma sociologia) que não dispensa a contradição e a ameaça que faz a si mesma.
Eu gosto do Porto. Gosto daquela luz usada e manchada de alvoroço. Gosto da cor de sombra do seu passado. Gosto daquela arquitectura rugosa e solene como a das montanhas. Gosto da visão fantástica do rio e da sua transfiguração quando chega à cidade. Gosto daquela comida que nos persegue como um vaticínio ou um remorso. Ir ao Aleixo e ler sobre a cozinha a palavra "laboratório", enquanto comemos os filetes de polvo com arroz do mesmo, ou a vitela assada com batatas alouradas, é uma iniciação que nunca se trai nem nos trai.
Se vou a Santa Catarina, fico horas entre o Café Majestic, a Confeitaria Cunha (onde à noite há cozido à portuguesa e tripas), as livrarias e as lojas de coisas antigas. Estar no Majestic, com um livro acabado de comprar na mão, e, enquanto o folheamos lentamente, tomar um chá com scones, é concordar com Borges quando diz que a felicidade está ao nosso alcance mais facilmente do que imaginamos.
Porque sabe fazer das fraquezas forças, a gente mais pobre do Porto tem em Lazarilho de Tormes, mesmo sem o conhecer, um modelo. Esse herói pícaro, de cujo livro nunca me despeço, possui um engenho que foi aguçado incessantemente, tornando-se uma arte de viver. No Porto, até os loucos são "performers" - veementes, exibicionistas e proféticos. Um deles costuma permanecer na rua cheia de gente que passa, a comentar as notícias do dia. Cheio de alarmes e presságios, chega, escatologicamente, a anunciar o fim do mundo. Certa vez, uma notícia desse dia anunciava que o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros tinha sido severo com o Irão, reprovando a sua inclinação para enriquecer urânio. O louco gritava a notícia e exclamava em grandes brados: "Metam-se com os iranianos, metam-se! Portugal é pequeno e eles ainda mandam meio país prò caralho!" Das senhoras que passavam - e havia-as distintíssimas a passar -, nenhuma se escandalizou com estas palavras roucas e a sua energia apocalíptica. Pelo contrário: ouviam-nas como um conselho sábio, uma advertência leal, um aviso sensato - e sorriam. Espero que as minhas leitoras (e também os meus leitores) sejam como as ilustres senhoras do Porto - e mostrem indulgência e riso perante palavras que nenhuma inocência está hoje autorizada a desconhecer.
Estive recentemente no Porto e voltei a Santa Catarina. Entrei na Igreja das Almas para ver os azulejos, as imagens e as velas que, rápidas, ardem como os dias do poema de Cavafis. Fui às lojas comprar aquilo que não me faz falta, senão no momento de o comprar. Depois, como estava um sol que fica em nós como uma carícia, passeei na rua a minha alegria infalível.
A dada altura, olhei um mendigo cego que pedia esmola com um cartaz pendurado ao peito, onde li, escrita em letras concebidas pelo designer mais competentemente contemporâneo, esta afirmação inesperada: "A CEGUEIRA NÃO MATA, MAS DIFICULTA". Só um cego do Porto teria a audácia bastante para, desprezando o sentimentalismo persuasivo ou o lirismo mendicante, criar esta frase exacta, prática e eficaz, quase tecnocrática, prevendo os bons resultados financeiros que ela produz, mesmo em tempo de crise. Confesso que também eu não lhe resisti. Aproximei-me do cego e, como Álvaro de Campos, "num gesto largo, transbordante, dei-lhe todo o dinheiro que tinha, excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro". Foi a minha maneira de dizer que admirava o engenho com que ele vence o infortúnio.
Mais tarde, quando os meus olhos se emocionavam ao contemplar um prato magnífico de rojões com morcela, pensei comigo que aquela frase transporta uma verdade mais geral do que parece. Aplica-se igualmente à estupidez, que, diz-se, é uma cegueira do espírito: também ela não mata, mas dificulta. (in Expresso)
Mais do que a de outras terras, a gente do Porto sabe fazer das fraquezas forças. Por isso, muitas vezes fala no tom dos que não perdem tempo com o que não lhes dá meios para vencer o infortúnio. Há nesse acento áspero uma franqueza parecida com uma altivez natural - a que se exerce sobre o mundo e não sobre os outros. Agustina e Manoel de Oliveira ("longos dias têm cem anos!") chegaram, por caminhos diferentes, ao centro desta filosofia de vida (também é uma psicologia e uma sociologia) que não dispensa a contradição e a ameaça que faz a si mesma.
Eu gosto do Porto. Gosto daquela luz usada e manchada de alvoroço. Gosto da cor de sombra do seu passado. Gosto daquela arquitectura rugosa e solene como a das montanhas. Gosto da visão fantástica do rio e da sua transfiguração quando chega à cidade. Gosto daquela comida que nos persegue como um vaticínio ou um remorso. Ir ao Aleixo e ler sobre a cozinha a palavra "laboratório", enquanto comemos os filetes de polvo com arroz do mesmo, ou a vitela assada com batatas alouradas, é uma iniciação que nunca se trai nem nos trai.
Se vou a Santa Catarina, fico horas entre o Café Majestic, a Confeitaria Cunha (onde à noite há cozido à portuguesa e tripas), as livrarias e as lojas de coisas antigas. Estar no Majestic, com um livro acabado de comprar na mão, e, enquanto o folheamos lentamente, tomar um chá com scones, é concordar com Borges quando diz que a felicidade está ao nosso alcance mais facilmente do que imaginamos.
Porque sabe fazer das fraquezas forças, a gente mais pobre do Porto tem em Lazarilho de Tormes, mesmo sem o conhecer, um modelo. Esse herói pícaro, de cujo livro nunca me despeço, possui um engenho que foi aguçado incessantemente, tornando-se uma arte de viver. No Porto, até os loucos são "performers" - veementes, exibicionistas e proféticos. Um deles costuma permanecer na rua cheia de gente que passa, a comentar as notícias do dia. Cheio de alarmes e presságios, chega, escatologicamente, a anunciar o fim do mundo. Certa vez, uma notícia desse dia anunciava que o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros tinha sido severo com o Irão, reprovando a sua inclinação para enriquecer urânio. O louco gritava a notícia e exclamava em grandes brados: "Metam-se com os iranianos, metam-se! Portugal é pequeno e eles ainda mandam meio país prò caralho!" Das senhoras que passavam - e havia-as distintíssimas a passar -, nenhuma se escandalizou com estas palavras roucas e a sua energia apocalíptica. Pelo contrário: ouviam-nas como um conselho sábio, uma advertência leal, um aviso sensato - e sorriam. Espero que as minhas leitoras (e também os meus leitores) sejam como as ilustres senhoras do Porto - e mostrem indulgência e riso perante palavras que nenhuma inocência está hoje autorizada a desconhecer.
Estive recentemente no Porto e voltei a Santa Catarina. Entrei na Igreja das Almas para ver os azulejos, as imagens e as velas que, rápidas, ardem como os dias do poema de Cavafis. Fui às lojas comprar aquilo que não me faz falta, senão no momento de o comprar. Depois, como estava um sol que fica em nós como uma carícia, passeei na rua a minha alegria infalível.
A dada altura, olhei um mendigo cego que pedia esmola com um cartaz pendurado ao peito, onde li, escrita em letras concebidas pelo designer mais competentemente contemporâneo, esta afirmação inesperada: "A CEGUEIRA NÃO MATA, MAS DIFICULTA". Só um cego do Porto teria a audácia bastante para, desprezando o sentimentalismo persuasivo ou o lirismo mendicante, criar esta frase exacta, prática e eficaz, quase tecnocrática, prevendo os bons resultados financeiros que ela produz, mesmo em tempo de crise. Confesso que também eu não lhe resisti. Aproximei-me do cego e, como Álvaro de Campos, "num gesto largo, transbordante, dei-lhe todo o dinheiro que tinha, excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro". Foi a minha maneira de dizer que admirava o engenho com que ele vence o infortúnio.
Mais tarde, quando os meus olhos se emocionavam ao contemplar um prato magnífico de rojões com morcela, pensei comigo que aquela frase transporta uma verdade mais geral do que parece. Aplica-se igualmente à estupidez, que, diz-se, é uma cegueira do espírito: também ela não mata, mas dificulta. (in Expresso)
quarta-feira, dezembro 17, 2008
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Disseram-me que a minha cor é cinza, e que as pessoas que são cinza são:
É uma pessoa atraente e muito activa. Nunca esconde os sentimentos e exterioza tudo o que vai dentro de si. Mas às vezes é egoista. Quer dar nas vistas e não gosta de ser tratada com desigualdade. Consegue melhorar os dias dos outros, pois sabe bem o que dizer na altura certa e tem bom sentido de humor.
Olha, gostei...
É uma pessoa atraente e muito activa. Nunca esconde os sentimentos e exterioza tudo o que vai dentro de si. Mas às vezes é egoista. Quer dar nas vistas e não gosta de ser tratada com desigualdade. Consegue melhorar os dias dos outros, pois sabe bem o que dizer na altura certa e tem bom sentido de humor.
Olha, gostei...
terça-feira, dezembro 09, 2008
segunda-feira, dezembro 08, 2008
segunda-feira, dezembro 01, 2008
terça-feira, novembro 25, 2008
sexta-feira, novembro 21, 2008
Estou ataráxico...
Ataraxia é um termo ligado às correntes filosóficas gregas do Cepticismo, Estoicismo e Epicurismo. Do grego ataraktos, imperturbado: (a = não; tarassein, tarak- = perturbar). Sinónimo para:
Ausência total de preocupações
Paz e imperturbabilidade de espírito;
Ausência de ansiedade;
Tranquilidade e impassibilidade da alma;
Felicidade derivada da virtude;
A experiência do óptimo, a qual leva ao prazer natural, ético e estável.
Segundo tais correntes, a ataraxia é possível de ser alcançada:
Atendendo-se aos desejos naturais;
Ignorando-se os desejos superficiais;
A ataraxia epicurista é basicamente o triunfo da razão do homem - geralmente a duras penas - sobre a irracionalidade do ambiente que o circunda. É um estado de espírito onde o homem deixa de temer o divino, a dor e principalmente, a morte. (in Wikipedia)
Ataraxia é um termo ligado às correntes filosóficas gregas do Cepticismo, Estoicismo e Epicurismo. Do grego ataraktos, imperturbado: (a = não; tarassein, tarak- = perturbar). Sinónimo para:
Ausência total de preocupações
Paz e imperturbabilidade de espírito;
Ausência de ansiedade;
Tranquilidade e impassibilidade da alma;
Felicidade derivada da virtude;
A experiência do óptimo, a qual leva ao prazer natural, ético e estável.
Segundo tais correntes, a ataraxia é possível de ser alcançada:
Atendendo-se aos desejos naturais;
Ignorando-se os desejos superficiais;
A ataraxia epicurista é basicamente o triunfo da razão do homem - geralmente a duras penas - sobre a irracionalidade do ambiente que o circunda. É um estado de espírito onde o homem deixa de temer o divino, a dor e principalmente, a morte. (in Wikipedia)
quinta-feira, novembro 20, 2008
Esta música está-me no ouvido... Ainda bem que é das boas... E o último verso? Maravilhoso...
Bon Iver
Stacks
This my excavation and today is kumran
Everything that happens is from now on
This is pouring rain
This is paralyzed
I keep throwing it down two-hundred at a time
It's hard to find it when you knew it
When your money's gone
And you're drunk as hell
On your back with your racks as the stacks as your load
In the back and the racks and the stacks are your load
In the back with your racks and you're un-stacking your load
I've twisting to the sun I needed to replace
The fountain in the front yard is rusted out
All my love was down
In a frozen ground
There's a black crow sitting across from me; his wiry legs are crossed
And he's dangling my keys he even fakes a toss
Whatever could it be
That has brought me to this loss?
On your back with your racks as the stacks as your load
In the back and the racks and the stacks of your load
In the back with your racks and you're un-stacking your load
This is not the sound of a new man or crispy realization
It's the sound of the unlocking and the lift away
Your love will be
Safe with me
Bon Iver
Stacks
This my excavation and today is kumran
Everything that happens is from now on
This is pouring rain
This is paralyzed
I keep throwing it down two-hundred at a time
It's hard to find it when you knew it
When your money's gone
And you're drunk as hell
On your back with your racks as the stacks as your load
In the back and the racks and the stacks are your load
In the back with your racks and you're un-stacking your load
I've twisting to the sun I needed to replace
The fountain in the front yard is rusted out
All my love was down
In a frozen ground
There's a black crow sitting across from me; his wiry legs are crossed
And he's dangling my keys he even fakes a toss
Whatever could it be
That has brought me to this loss?
On your back with your racks as the stacks as your load
In the back and the racks and the stacks of your load
In the back with your racks and you're un-stacking your load
This is not the sound of a new man or crispy realization
It's the sound of the unlocking and the lift away
Your love will be
Safe with me
terça-feira, novembro 18, 2008
O mundo das mulheres visto por Luis Fernando Verissimo...
Maçã e pêra
Não era exactamente maldade. A Tia Iná era franca. Dizia o que pensava sobre as pessoas e, se as pessoas não gostassem, azar. Ou, como gostava de dizer, "azeite".
- Tia Iná, a senhora chamou o Ildefonso de esquisito.
- E não é?
- Mas a senhora chamou na frente dele! É por isso que ele nunca mais apareceu.
- Azeite.
E o pior era que as opiniões da tia Iná eram certeiras. Impertinentes, insensíveis, mas certeiras. O Ildefonso era mesmo muito esquisito. E as irmãs Cora e Clara, por exemplo. Um dia, a tia Iná apontou para uma adolescente, depois para outra, e sentenciou:
- Maçã e pêra.
A tia Iná não precisou explicar a comparação. Era perfeita. Uma irmã, justamente a Cora, era corada. Se alguém quisesse descrevê-la com menos síntese e precisão do que a tia Iná, poderia usar a óptima palavra "rubicunda", com tudo o que ela sugere. Já a cor da Clara não era apenas clara, parecia ser o que sobrara depois de uma cor indefinida, talvez um vago amarelo, ter desbotado. E não era só a cor. Com duas palavras, a tia Iná definira o destino das duas, as vidas que levariam, baseada nas suas aparências. Uma, uma excitante vida de maçã; a outra, uma vida sem graça de pêra.
Mas acontece o seguinte. A maçã deve boa parte da sua reputação mais à sua imagem do que à sua biografia. Ao contrário do que a maioria pensa, não foi uma maçã que Eva comeu e levou o primeiro casal a ser expulso do Paraíso. Não há nenhuma referência a maçãs no Génesis. A maçã só aparece na Bíblia muitos capítulos depois, nos Cantares de Salomão ("Confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor"). Ficou como símbolo do pecado original que nos condenou à finitude e à culpa porque parece ser pecaminosa, mas é inocente. Pode argumentar que nem estava lá na ocasião. Já se especulou sobre qual seria a fruta que Eva comeu no Paraíso, se não foi a maçã. Talvez o figo, que também tem uma aparência lúbrica, hipótese reforçada pelo facto de que em toda a representação antiga do Éden são folhas de figueiras que aparecem cobrindo as partes pudendas de Adão e Eva. O que ninguém nunca especulou é que a responsável pela tentação de Eva fosse a pêra. Logo a pêra?! Mas porque não? Talvez a pêra tenha uma história secreta, ainda a ser revelada. Que melhor disfarce para levar uma vida secreta do que ser conhecida por todos como a irmã sem graça da maçã?
Cora e Clara passaram anos sem ver a tia Iná. Um dia, Cora foi visitá-la. Contou que Clara não gostara da comparação com pêra, ficara sentida, nunca perdoara a tia Iná. Que disse "azeite" e comentou a gordura de Cora:
- Você parece uma vaca leiteira.
Cora deu uma risada. A tia Iná continuava a mesma.
- Estou com três filhos, tia. O último ainda mama no peito.
- Três filhos. Esse corpo disforme... Eu imaginava que você ia ser outra coisa.
- Que outra coisa?
- Não sei. Ter uma vida mais excitante.
- Quem tem uma vida excitante é a Clara. A senhora não tem visto as revistas? Ela é a modelo que mais aparece no momento. Com aquela palidez, aquele ar de subnutrida... Eu também tentei ser modelo, mas não me aceitaram. Disseram que era muito colorida. Acabei nesta vida pacata...
- De vaca leiteira.
- Lembra maçã e pêra, tia?
- Lembro.
- Estão preferindo as peras.
Ou seja, é tudo uma questão de modas...
Maçã e pêra
Não era exactamente maldade. A Tia Iná era franca. Dizia o que pensava sobre as pessoas e, se as pessoas não gostassem, azar. Ou, como gostava de dizer, "azeite".
- Tia Iná, a senhora chamou o Ildefonso de esquisito.
- E não é?
- Mas a senhora chamou na frente dele! É por isso que ele nunca mais apareceu.
- Azeite.
E o pior era que as opiniões da tia Iná eram certeiras. Impertinentes, insensíveis, mas certeiras. O Ildefonso era mesmo muito esquisito. E as irmãs Cora e Clara, por exemplo. Um dia, a tia Iná apontou para uma adolescente, depois para outra, e sentenciou:
- Maçã e pêra.
A tia Iná não precisou explicar a comparação. Era perfeita. Uma irmã, justamente a Cora, era corada. Se alguém quisesse descrevê-la com menos síntese e precisão do que a tia Iná, poderia usar a óptima palavra "rubicunda", com tudo o que ela sugere. Já a cor da Clara não era apenas clara, parecia ser o que sobrara depois de uma cor indefinida, talvez um vago amarelo, ter desbotado. E não era só a cor. Com duas palavras, a tia Iná definira o destino das duas, as vidas que levariam, baseada nas suas aparências. Uma, uma excitante vida de maçã; a outra, uma vida sem graça de pêra.
Mas acontece o seguinte. A maçã deve boa parte da sua reputação mais à sua imagem do que à sua biografia. Ao contrário do que a maioria pensa, não foi uma maçã que Eva comeu e levou o primeiro casal a ser expulso do Paraíso. Não há nenhuma referência a maçãs no Génesis. A maçã só aparece na Bíblia muitos capítulos depois, nos Cantares de Salomão ("Confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor"). Ficou como símbolo do pecado original que nos condenou à finitude e à culpa porque parece ser pecaminosa, mas é inocente. Pode argumentar que nem estava lá na ocasião. Já se especulou sobre qual seria a fruta que Eva comeu no Paraíso, se não foi a maçã. Talvez o figo, que também tem uma aparência lúbrica, hipótese reforçada pelo facto de que em toda a representação antiga do Éden são folhas de figueiras que aparecem cobrindo as partes pudendas de Adão e Eva. O que ninguém nunca especulou é que a responsável pela tentação de Eva fosse a pêra. Logo a pêra?! Mas porque não? Talvez a pêra tenha uma história secreta, ainda a ser revelada. Que melhor disfarce para levar uma vida secreta do que ser conhecida por todos como a irmã sem graça da maçã?
Cora e Clara passaram anos sem ver a tia Iná. Um dia, Cora foi visitá-la. Contou que Clara não gostara da comparação com pêra, ficara sentida, nunca perdoara a tia Iná. Que disse "azeite" e comentou a gordura de Cora:
- Você parece uma vaca leiteira.
Cora deu uma risada. A tia Iná continuava a mesma.
- Estou com três filhos, tia. O último ainda mama no peito.
- Três filhos. Esse corpo disforme... Eu imaginava que você ia ser outra coisa.
- Que outra coisa?
- Não sei. Ter uma vida mais excitante.
- Quem tem uma vida excitante é a Clara. A senhora não tem visto as revistas? Ela é a modelo que mais aparece no momento. Com aquela palidez, aquele ar de subnutrida... Eu também tentei ser modelo, mas não me aceitaram. Disseram que era muito colorida. Acabei nesta vida pacata...
- De vaca leiteira.
- Lembra maçã e pêra, tia?
- Lembro.
- Estão preferindo as peras.
Ou seja, é tudo uma questão de modas...
segunda-feira, novembro 17, 2008
sábado, novembro 15, 2008
Este vosso escriba decidiu ir desde quinta-feira à Golegã, ver a Feira de Cavalos. Poucas horas de sono depois e o fígado num estado crítico, devo dizer que foi muito giro. Vi cavalos na rua até às 5h da manhã, vi cavalos dentro de um bar, vi um cavaleiro a vomitar de cima de cavalos. Enfim, vi de tudo. Gosto muito de tradições e esta é uma bela tradição. Agora vou ali tratar da garganta porque o frio era terrivel e os abafadinhos não chegavam.
segunda-feira, novembro 10, 2008
Neste momento não namoro! Sou um homem livre. E ainda assim meu coração está cativo. Como estará sempre. E ainda bem. Sou um Florentino Ariza! E é bom que ela saiba que sempre que precisar eu estarei aqui, time after time... (tão bom regressar a esta música)
Lying in my bed I hear the clock tick,
and think of you
caught up in circles confusion--
is nothing new
Flashback--warm nights--
almost left behind
suitcases of memories,
time after--
sometimes you picture me--
I'm walking too far ahead
you're calling to me, I can't hear
what you've said--
Then you say--go slow--
I fall behind--
the second hand unwinds
chorus:
if you're lost you can look--and you will find me
time after time
if you fall I will catch you--I'll be waiting
time after time
after my picture fades and darkness has
turned to gray
watching through windows--you're wondering
if I'm OK
secrets stolen from deep inside
the drum beats out of time--
chorus:
if you're lost...
you said go slow--
I fall behind
the second hand unwinds--
chorus:
if you're lost...
...time after time
time after time
time after time
time after time
Lying in my bed I hear the clock tick,
and think of you
caught up in circles confusion--
is nothing new
Flashback--warm nights--
almost left behind
suitcases of memories,
time after--
sometimes you picture me--
I'm walking too far ahead
you're calling to me, I can't hear
what you've said--
Then you say--go slow--
I fall behind--
the second hand unwinds
chorus:
if you're lost you can look--and you will find me
time after time
if you fall I will catch you--I'll be waiting
time after time
after my picture fades and darkness has
turned to gray
watching through windows--you're wondering
if I'm OK
secrets stolen from deep inside
the drum beats out of time--
chorus:
if you're lost...
you said go slow--
I fall behind
the second hand unwinds--
chorus:
if you're lost...
...time after time
time after time
time after time
time after time
sábado, novembro 08, 2008
Durante muito tempo disse que o meu fado preferido se chamava No teu poema e foi cantado pelo Carlos do Carmo, Dulce Pontes, Mafalda Arnauth e até a Azeituna! Mas apesar de ser cantado por fadistas, é mais uma canção ligeira. Há vários anos ouvi um fado! Sabia ser cantado por José Manuel Osório e que se chamava "Fado da Meia Laranja"! Não me lembrava da letra, mas sei que me tinha tocado. Pois bem, graças ao youtube e a este belo blog descobri-o. Um fado duro, cru, que fala sobre a droga, a Lisboa escondida, marginal, infernal. Ouçam e garanto que não ficarão indiferentes...
"Ali, à Meia-Laranja,
Meio-Inferno de Lisboa,
Onde a morte anda a viver
Há milhares de olhos baços
A vida tem tantos braços
Para a morte se esconder
....
Há punhais de infelicidade
Ali se mata a idade
no coração de Lisboa "
terça-feira, novembro 04, 2008
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